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Vazio Existencial

Sidney Fernandes – 1948@uol.com.br

Assisti a uma nova série televisiva, produzida na França, que mostra o comportamento atual de muitas pessoas da Europa. Bebidas, nicotina, drogas, sexo, infidelidade e violência são alguns comportamentos comuns, principalmente dos jovens.

Paralelamente, em pouco menos de duas horas de projeção, entre um drama e outro, preponderaram situações depressivas e tendentes ao suicídio.

Outro grande grupo de criaturas, ao interpretar literalmente textos bíblicos, está esperando que ocorram, como castigo de Deus ou por decorrência evolutiva, cataclismos e violentas alterações da natureza nos próximos anos. Aguardam vigorosas modificações no planeta, sem perceber que elas já começaram e poucos estão se dando conta delas.

Em A Gênese, Allan Kardec nos fala, efetivamente, de graves acontecimentos preditos para os tempos que chegaram, mas não de cataclismos ou catástrofes materiais, e sim de agitação das entranhas da humanidade.

E não é exatamente isso que desavisados estão vivenciando nos graves processos psicológicos — ansiedade, depressão, estresse e tendência ao suicídio — que estão se tornando verdadeiras obsessões coletivas?

Certa ocasião, um jovem procurou Chico Xavier em busca de orientação pois, não obstante ter vida abastada, sentia enorme vazio existencial em seu coração.

O médium, olhando-o profundamente, ouviu a voz de Emmanuel, que o orientou:

Fale a ele, Chico, que o que lhe falta é a “alegria dos outros”! Ele vive sufocado com muitas coisas materiais. É necessário repartir, distribuir para o próximo… A alegria de repartir com os outros tem um poder superior, que proporciona a alegria de volta àquele que a distribui. É isto que está lhe fazendo falta, meu filho: a “alegria dos outros”.

O triste quadro social que, infelizmente, começa a tomar corpo no mundo, em proporções epidêmicas, principalmente nos grupamentos distantes da espiritualidade e do trabalho edificante, reflete o modelo de vida daqueles que estão procurando a felicidade no lugar errado.

A depressão, em todas as formas em que se apresenta e as perturbações espirituais dela decorrentes, poderiam perfeitamente ser prevenidas e evitadas, se levássemos a sério nossas religiões e, principalmente, o exemplo máximo que Deus nos proporcionou: Jesus!

Diz Emmanuel que, sem a presença do Cristo em nossas vidas, seremos frágeis criaturas, expostas aos desenganos e aos sofrimentos reparadores. Útil seria, para a proteção de nossa vulnerabilidade física e espiritual, que considerássemos o planeta como uma imensa escola de trabalho, pois ainda somos seres necessitados de aprimoramento e iluminação.

***

Meu pai costumava contar a história de um bêbado que, na madrugada, procurava insistentemente por sua chave. Solidários, companheiros se juntaram na tentativa de achar o objeto. Depois de infrutíferas buscas, um dos amigos indagou:

— Você tem certeza de que perdeu sua chave aqui, embaixo deste poste de iluminação?

— Não, na verdade eu a perdi no outro lado da rua. Mas, lá está muito escuro para procurar.

***

Parecemos, amigos leitores, embriagados em busca da felicidade na satisfação dos sentidos, nos vícios e no sufoco das coisas materiais, porque este lado da rua é mais agradável. Melhor será buscá-la na alegria de repartir com o próximo, na prática do trabalho recomendado pela Doutrina Espírita e em nossa transformação interior.

Agindo dessa forma nos colocaremos no lado certo da rua, prevenindo-nos contra os vazios existenciais que ameaçam tomar conta das almas desprevenidas.

Fiquemos com Allan Kardec, quando afirma, na Revista Espírita de janeiro de 1860, que aquele que se der ao trabalho de aprofundar a questão do Espiritismo nele encontrará satisfação moral e solução de seus problemas. Ele torna o homem melhor, pela prática da mais pura moral evangélica, muito elogiada, mas pouco praticada.

Queremos nos prevenir contra as intempéries que começam a assolar o interior dos homens?

Apeguemo-nos ao bem, ao desapego e à moral de Jesus e estaremos prontos para enfrentar o vazio existencial, a depressão e suas consequências.

 

Fontes consultadas:  Redação do Momento Espírita, Caminho, Verdade e Vida, de Emmanuel, A Gênese, de Allan Kardec e Revista Espírita

Sobre Sidney Fernandes

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Sidney Fernandes (1948@uol.com.br) nasceu em Bauru, em 1948. Gerente do Banco do Brasil e Empresário, hoje está aposentado e se dedica integralmente à veiculação do Espiritismo. Participou ativamente da Mocidade Espírita até integrar-se ao Centro Espírita Amor e Caridade de Bauru (SP). Escritor e orador profere palestras em várias cidades brasileiras. Veja página deste Autor

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