sexta-feira , dezembro 14 2018
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Uma legião!

Por Jane Maiolo

Então Jesus lhe perguntou: “Qual é o seu nome? ” “Meu nome é Legião”, respondeu ele, “porque somos muitos.” [1]

 Variadas são as questões que envolvem o ser humano na busca do conhecimento de sua identidade real .

Quem  somos? É uma incógnita que há séculos o homem tenta desvendar ou pelo menos saciar o desejo de se auto descobrir.

A Doutrina Espírita nos aponta caminhos, ensinando que somos espíritos e que já experimentamos muitos capítulos no limite do mundo físico, sob o guante da matéria grosseira e fora dele , nas infinitas paragens do plano espiritual.

O Espiritismo nos revela que somos compostos de três características dimensionais, a saber: o espírito, isto é, princípio inteligente que preside o pensamento , a inteligência e o senso moral;  o perispírito, que se consubstancia no vínculo que conecta o princípio inteligente à estrutura física, invólucro de  natureza fluídica , leve, imponderável e, por fim, o corpo carnal, ou  invólucro fisiológico para as inter-relações com o universo tangível da vida material.

É bem verdade que somos uma individualidade , por conseguinte indivisíveis, contudo, que envergamos distintas personalidades, estagiando com diferentes nomes , sobrenomes, alcunhas etc. pelos quais diversos personagens  nos reconhecem e nos identificam em cada etapa existencial.

Obviamente nossas personalidades sofreram e sofrem influências de natureza endógena (interna) e exógenas (externa). As influências endógenas (interna) são aquelas advindas da nossa realidade espiritual, ou seja, um patrimônio que nos escolta por eras incontáveis e se encontra armazenada na memória emocional, na herança genética, e nas múltiplas aprendizagens enquanto individualidade.

As influências exógenas (externa) são as que nos chegam no dia a dia pelas experiências pessoais, bem como pelas influências de potências mentais provenientes doutras pessoas encarnadas ou não.

Dotados de um amplo acervo mento espiritual permanecemos entre o enlevo do consciente e do inconsciente, manifestando-se em idas e vindas nas estruturas infinitas do nosso eu indivisível. Algumas vezes, visitamos determinadas regiões do inconsciente e daí entronizamos manifestos escombros tangendo para emoções sobrecarregadas, ambíguas, tensas.

Por vezes paralisamos os sentidos , permanecemos inermes e estertoramos na agonia íntima. Doutras vezes nos encontramos tão interligados com o eu real que olvidamos que somos seres imortais e que urge prosseguir na evolução para a aquisição dos valores transcendentes.

O aforismo grego “Conhece a ti mesmo“pode nos trazer grandes revelações e muitas surpresas, porquanto somos entes incompletos, ansiosos, múltiplos em desejos, emoções e sensações. Dessa forma, sem sombra de dúvidas existe uma legião inclusa em cada um de nós, todavia, o que almejarmos e vencermos em nós mesmos nas próximas experiências reencarnatórias definirá o lapso de tempo para nossa união definitiva com o Cristo.

Como observamos a receita para o autoconhecimento é antiga e Agostinho, ex-bispo de Hipona, nos oferece a fórmula para aquisição desse tesouro, vejamos: Fazei o que eu fazia, quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma.” [2]

Nessa indispensável busca para compreendermos quem somos é forçoso observarmos os convites do Evangelho , dispondo-nos a realizar novas descobertas a fim de  ascendermos na hierarquia espiritual o EU aguardado pelo Divino Senhor.

Assim nada se faz de novo mas tudo se revela para aquele que deseja encontrar –se com o verdadeiro .

Perguntará o Senhor: Qual o seu nome? Que dirá?

Meditemos ainda hoje quem somos e o que podemos realizar em favor de nós mesmos.

 

Nota da autora:

O termo “legião”, ao tempo do Cristo, era uma referência aos soldados romanos que permaneciam em território palestino e assim subjugavam toda a nação judaica. Nas interpretações subsequentes ganhou o sentido de “muitos”.

 

Referências Bibliográficas :

[1] Marcos 5:9

[2] Kardec, Allan. O livro dos espíritos, questão 919-a (mensagem de Santo Agostinho), RJ: Ed FEB, 2009

Sobre Jane Maiolo

Jane Maiolo – É professora de Ensino Fundamental, formada em Letras e pós-graduada em Psicopedagogia. Colaboradora da Sociedade Espírita Allan Kardec de Jales. Pesquisadora do Evangelho de Jesus. Colaboradora da Agenda Brasil Espírita- Blog do Bruno Tavares Recife/PE - Jornal O Rebate /Macaé /RJ – Jornal Folha da Região de Araçatuba/SP -Apresentadora do Programa Sementes do Evangelho da Rede Amigo Espírita. janemaiolo@bol.com.br

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