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Simples álgebra – Richard Simonetti

                            SIMPLES ÁLGEBRA

                                      Richard Simonetti

                                      richardsimonetti@uol.com.br

 

– Está tudo em ordem. Falta apenas o selo para autenticação – informou, gentil, a recepcionista do posto de assistência médica.

– Onde posso comprar?

– No cartório.

– É longe?

– Algumas quadras…

– Que maçada! Estou sem condução e devo regressar ao serviço…

– Bem, eu tenho alguns aqui. Posso vender-lhe.

Resolvido o problema, o requerente agradece e sai, apressado. Aproxima-se um homem de meia idade. Nervoso, reclama asperamente sobre deficiências do serviço.

– O senhor tem toda razão – responde a moça, cordata. – Queira nos perdoar. Tentaremos resolver o assunto.

Fez anotações e prometeu providenciar imediatamente. Desarmado pela simpatia da atendente, ele perdeu o ânimo belicoso.

– Desculpe, senhorita, se fui agressivo.  É que estou uma pilha, enfrentando problemas variados.

– Tudo bem, não se preocupe. Todos temos maus momentos…

Aproxima-se idosa senhora, vestida humildemente:

– Minha filha, tenho problema coração. É grave. O médico deu-me a receita, recomendando início imediato do tratamento, mas não tenho dinheiro. Posso receber aqui o remédio?

– Bem, vovó, não temos esse tipo de medicamento. No entanto, verei se é possível ajudá-la.

Rapidamente ela telefonou para uma farmácia, informou-se do preço do medicamento e autorizou o aviamento da receita, responsabilizando-se pelo pagamento.

O próximo a ser atendido, homem inteligente e observador, fala, admirado:

– Moça, estou impressionado! Você resolveu sem dificuldade três casos, poupando tempo a um homem apressado, acalmando outro irritado e ajudando sofredora mulher…  Que prodígios de força e dedicação a inspiram? Qual é o seu segredo?

Sorriso iluminado, a jovem respondeu:

– Não há segredo nenhum. É apenas uma questão de álgebra.

– Álgebra?

– Sim, aquela operação em que menos um somado a mais um faz zero. Valores positivos anulam valores negativos. O requerente sem tempo, o reclamante nervoso e a senhora sem recursos tinham problemas – valores negativos. Conservar alguns selos para emergências, usar de serenidade e se dispor a uma vaquinha entre os colegas para aviar receita médica, são valores positivos que os anulam, favorecendo as pessoas…

– Mas acha que compensa? Ninguém se interessa pelo próximo e há muita ingratidão!…

– Engano seu. Muitos gostariam de ajudar, apenas não têm iniciativa. São tímidos. Se lhes dermos exemplo nos acompanharão. Quanto ao reconhecimento alheio, não significa nada diante da incomparável satisfação que experimentamos ao ajudar o próximo. Quando nos empenhamos nesse propósito é como se sorvêssemos milagroso elixir de alegria e bem-estar, que nos mantém felizes e equilibrados…

E sempre sorridente:

– Por falar nisso, em que posso servi-lo?

Há muitas angústias na Terra, muitos problemas de relacionamento entre os homens. Parece que vivemos num deserto árido, vazio de valores morais, abrasados pelo sol do egoísmo que viceja nos corações. Todavia, nem tudo está perdido. Há oásis verdejantes sustentados por pessoas maravilhosas que distribuem fartamente a água abençoada do conforto e da paz.

Também podemos saciar nossa sede, contribuindo para que o deserto se torne menor. Basta que nos disponhamos a abrir, na intimidade de nosso coração, o poço promissor da boa vontade.

 

 

Sobre Sidney Fernandes

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Sidney Fernandes (1948@uol.com.br) nasceu em Bauru, em 1948. Gerente do Banco do Brasil e Empresário, hoje está aposentado e se dedica integralmente à veiculação do Espiritismo. Participou ativamente da Mocidade Espírita até integrar-se ao Centro Espírita Amor e Caridade de Bauru (SP). Escritor e orador profere palestras em várias cidades brasileiras. Veja página deste Autor

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