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Reescrevendo o Futuro

Sidney Fernandes

1948@uol.com.br

Como será o nosso futuro? Podemos reescrever nossa vida? E o retorno à pátria espiritual? O que nos aguarda? Se almejamos aperfeiçoar a vida; se queremos voltar para o plano dos espíritos mais preparados do que chegamos na presente existência; e se almejamos uma festejada comitiva de recepção ao transpor o umbral da morte, com regozijo dos entes queridos que nos antecederam, temos que nos concentrar em algumas providências.

O egoísmo é o maior obstáculo a ser vencido pelo ser humano. Dele deriva todo mal, pois é a fonte de todos os vícios. Quem quiser efetivamente se aproximar da perfeição moral, deverá expurgar o sentimento de egoísmo, pois ele neutraliza todas as qualidades.

A partir do momento em que começamos a vencer o egoísmo, passamos a anular os pontos negativos de nossa personalidade. Se da atitude egoística deriva grande fieira de males, do seu oposto, do altruísmo, derivam pontos apreciados da convivência humana, que consubstanciam as regras da moral e da ética divinas.

Assim como em relação aos defeitos, poderíamos discorrer longamente e não esgotaríamos a lista de qualidades que devemos cultivar. Não é preciso. Elas estão sintetizadas na primeira epístola de Paulo aos coríntios, quando diz que o amor é paciência, bondade, humildade, respeito, generosidade, perdão, honestidade e confiança. Paulo de Tarso não determinou que amássemos, exatamente porque ninguém pode mandar alguém ter um sentimento ou emoção por alguém.

No entanto, sugeriu, até com veemência, uma série de comportamentos — e esses dependem exclusivamente da decisão e não mais dos nossos sentimentos —  que, em última instância, traduzem agapé, o amor de Jesus, incondicional, baseado em como devemos nos portar diante do semelhante, sem nada exigir em troca.

Trago-lhes, à guisa de ilustração, tocante narrativa do escritor Mario Tamassia1 com lições de regeneração, humildade, solidariedade, perdão e, acima de tudo, de esperança.

O carvalho embandeirado de esperança traz a história de um homem chamado Vingo, que acabara de sair da penitenciária. No ônibus em que viajava, de Nova Iorque para a Flórida, estava um grupo de jovens alegres, em plena algazarra. Contrastando com seus companheiros de viagem, o ex-detento isolou-se num canto, demonstrando preocupação e tristeza.

Uma das jovens dele se aproximou, buscando animá-lo, e puxou conversa.

— Como é o seu nome? — perguntou a moça.

— Meu nome é Vingo.

— Você é casado?

— Na verdade não sei.

— Como assim.

Contou que havia acabado de sair de prisão. Como sabia que sua permanência na penitenciária seria longa, havia liberado sua esposa para procurar outro companheiro para protegê-la. Depois disso, nunca mais trocaram correspondências.

— Você está voltando para casa?

— Sim. Na semana passada, quando me concederam livramento condicional, escrevi novamente para minha esposa. Disse a ela que eu iria voltar. Caso ela ainda me quisesse de volta, deveria amarrar um lenço verde no grande carvalho que existe na entrada da cidade.

— Meu Deus! — disse a moça, comovida.

Imediatamente ela espalhou a notícia para os demais colegas de viagem. Quando o ônibus começou a entrar na cidade, todos se aquietaram e ficaram solidários a Vingo, na expectativa, torcendo por ele. Por fim, surgiu o frondoso carvalho. Todos estavam petrificados. De repente, o homem se levantou e de seus olhos começaram a correr grossas lágrimas. O carvalho parecia uma árvore de Natal. Havia nele vinte ou trinta lenços verdes. Era uma extraordinária mensagem de boas-vindas.

Moças e rapazes começaram a gritar, chorar e dançar dentro do ônibus.

O homem chamado Vingo desceu e foi ao reencontro da sua vida.

***

Reencarnamos neste planeta Terra como se fôssemos degredados, em busca da regeneração, da superação de defeitos e da transformação interior.

Que nossas virtudes se destaquem. Que nossas falhas, na mesma proporção, diminuam. Persistindo nesse objetivo, alcançaremos a tão acalentada meta de renovação.

A partir daí, poderemos sossegar nossos espíritos com a certeza de que, ao deixarmos este plano, encontraremos carvalhos embandeirados de esperança, com amigos da espiritualidade à nossa espera, na continuidade do nosso processo evolutivo.

 

Referências:

1 TAMASSIA, Mario B. A mãe que desistiu do céu. Primavera de 1987, Capítulo 15. Pg. 11. Edição 1. IDE.

Sobre Fernando Rossit

Fernando Rossit é funcionário público e reside em São José do Rio Preto. Espírita desde 1978, atua em várias tarefas nas casas espíritas "Associação Espírita Allan Kardec" e "Centro Espírita Irmão Gerônimo".

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Um comentário

  1. A prova de que Deus não condena às penas eternas do inferno, seus filhos imperfeitos e devedores, é a recepção amorosa que devemos, merecidamente aguardar, após quitar nossos débitos e crimes. Filhos pródigos que voltam, somos todos nós, após haver desperdiçado todos os tesouros paternos nas ilusões transitórias da vida, arrependidos e exaustos, humildes e desvalidos, descrentes de que haverá um Pai que nos espera. É assim que saímos da Terra, quase sempre, sem acreditar que ainda somos filhos Dele. Mas somos.

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