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Razão Da Vida

Sidney Fernandes – 1948@uol.com.br

Assim como se fosse uma vibrante sinfonia de Wagner, O Espírito de Verdade abriu a obra O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, de forma calorosa, dando aos homens a extraordinária revelação, já implícita em várias questões de O Livro dos Espíritos, também de Allan Kardec, de que os espíritos do Senhor espalham-se pela Terra, para iluminar o caminho e abrir os olhos aos cegos.

Com efeito, não apenas os sábios ligados ao Espiritismo, como também plêiades de estrelas cadentes, que inspiraram outras filosofias e religiões espalhadas por todo o nosso planeta, traçaram diretrizes para que as almas encarnadas aproveitem, efetivamente, a extraordinária oportunidade da vida. A ordem de comando foi a mesma, interpretada segundo os valores de cada grupamento humano. O convite é o da renovação interior, o da dissipação das trevas e o da edificação dos justos.

Esse imperativo — que precisa tocar o coração do homem para que a sua fé se torne inabalável — está sintetizado nesta magnífica expressão, também contida n’ O Evangelho Segundo o Espiritismo, que poderia ser dirigida não apenas aos espíritas, mas à universalidade dos homens que se disponham a progredir e a burilar seus espíritos.

Parafraseada, assim ficaria:

Reconhece-se o verdadeiro homem de bem pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.

Como chegar a esse objetivo? Tornar-se realmente homem de bem não é desiderato para o imediato, nem para o curto tempo. Alguns de nós precisaremos de algumas dezenas de encarnações para alcançá-lo.

Um dos componentes fundamentais para alcançá-lo é o exercício da resignação. A resignação, sem dúvida, precisa ser intensamente praticada, considerando-se que todos nossos sofrimentos sempre têm uma razão de ser e que ninguém sofre injustamente.

Quem tem amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta — diz Paulo, o apóstolo, em sua primeira epístola aos Coríntios.

Faz parte, então, de nosso processo evolutivo aceitar passiva e apaticamente todos obstáculos da vida? Não exatamente dessa forma.

— Aqueles que, em estado de indigência, recebem recursos para sua recuperação e não os aproveitam, não estão praticando a resignação, e sim a vadiagem.

— Os que somente pedem auxílio, sem cogitar de seus próprios esforços, em busca da autossuficiência, ensaiando mendicância, não estão praticando a resignação, e sim a indolência.

— Religiosos em crises dolorosas, que não se utilizam dos recursos oferecidos pela espiritualidade ou por seus núcleos religiosos capazes de restituí-los à normalidade, não estão praticando a resignação, e sim a volúpia de sofrer.

— Criaturas atendidas, mas que continuam exarando queixas e lamentações, não estão praticando a resignação e sim o complexo de vítima.

Uma coisa é reconhecer que não fomos santos em vidas passadas e, mesmo sem saber exatamente por que sofremos, entender que merecemos. Outra coisa é encostar o corpo diante das adversidades e nada fazer para superá-las. Cruzar os braços e esperar que os outros, o Estado ou as instituições religiosas ajam por nós, é fazer a pior escolha no processo de recuperação de nossas vidas.

Nós, espíritas, passamos muitas vezes por esse mesmo processo de acomodamento. Consideramos o Espiritismo uma coisa extraordinária, que justifica por que aqui nos encontramos, no planeta Terra, com magníficas oportunidades de progresso e recuperação de faltas passadas, mas nos deixamos seduzir pelos cantos das sereias da materialidade, sem cogitar do significado mais amplo que a Doutrina nos descortina.

Reforma íntima é conceito básico do Espiritismo que resume a verdadeira razão da vida. A Terra pode ser considerada um hospital, uma prisão, uma escola ou um campo de trabalho, mas, acima de tudo, é o local concedido pela espiritualidade superior para que os espíritos adquiram cultura e bons sentimentos, no processo evolutivo.

 

Fontes consultadas: Dinâmica da Resignação de Richard Simonetti, O Evangelho Segundo o Espiritismo e O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.

Sobre Sidney Fernandes

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Sidney Fernandes (1948@uol.com.br) nasceu em Bauru, em 1948. Gerente do Banco do Brasil e Empresário, hoje está aposentado e se dedica integralmente à veiculação do Espiritismo. Participou ativamente da Mocidade Espírita até integrar-se ao Centro Espírita Amor e Caridade de Bauru (SP). Escritor e orador profere palestras em várias cidades brasileiras. Veja página deste Autor

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