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QUO VADIS NOSSO MUNDO INTERIOR? – Dr. Marcelo Occhiutto – 4a. parte (última)

QUO VADIS NOSSO MUNDO INTERIOR?

Dr. Marcelo Occhiutto

QUARTA PARTE (última)

1c – Panorama atual da ansiedade e da depressão na sociedade

  1. Um caso para nosso aprendizado

Diante das inevitáveis experiências geradoras de sofrimento na Terra, no maior número das vezes, não temos, ao nosso derredor, somente motivos para tristezas. Porém, valorizamos de tal forma o fato ruim, o sofrimento que nos atingiu, que todo o nosso entorno – seja de possibilidades ou de pessoas que nos servem de apoio e são motivos de alegria – fica esquecido perante nossa determinação em exaltar a dor.

Conto-lhes aqui, a título de exemplificação, um fato recentemente comigo ocorrido, sobre uma moça jovem, com inúmeros motivos para deprimir-se. Daremos o nome fictício de Mirtes a esta moça e à sua história real.

Mirtes, apesar de muito jovem, adquiriu uma doença ocular que gera uma inflamação constante em seus olhos, gerando fotofobia, ulcerações da córnea, dentre outras moléstias. Teve ainda uma paralisia facial que deformou metade de seu rosto.

Apresentava um quadro severo de acne facial, e ainda trabalhava, cuidando de uma senhora idosa, seis dias por semana, somente tendo um dia de folga para visitar sua mãe, que mora muito distante do local onde exerce seu ofício. Não deixava esse emprego porque foi o único lugar onde conseguiu trabalho, já que sua aparência provocava a rejeição velada de outros possíveis empregadores, apesar de sua boa formação educacional.

Tinha escassos recursos financeiros, e não havia amigos que se interessassem por sua companhia, nem nunca mais teve a chance de um relacionamento amoroso. Assim, vivia só, com a acolhida apenas de sua mãe.

Mirtes, porém, era doce e paciente! Tinha uma grande fé de que tudo ainda iria melhorar! Não se queixava, nem se revoltava! Orava e esperava por dias melhores!

Certa feita, quando a atendi, confesso ter ficado compadecido com sua história que já conheço há algum tempo! E paralelamente ao atendimento médico, pedi a Deus, em silenciosa oração, que a iluminasse e lhe renovasse a esperança!

Aconteceu então um fenômeno raro, que já me ocorreu algumas vezes, de, num átimo de segundo, eu fechar os olhos e visualizar uma espécie de flash, mostrando-me um quadro, uma cena da vida pregressa daquele espírito.

Isto certamente só acontece, não por méritos ou capacidades mediúnicas especiais, já que não tenho a ambos, mas provavelmente para que eu tenha a chance de partilhar desta experiência com os companheiros que me honram com sua atenção, nas atividades doutrinárias que exercemos modestamente, como vocês que agora me leem.

Assim foi com Mirtes. Num segundo eu vislumbrei uma dama da alta sociedade, envolta num casaco de pele, rejeitando e atacando um grupo de mendigos maltrapilhos, a quem chamava de doentes e pobres, pedindo para que saíssem de seu caminho e que não mais cruzassem com um ser superior.

Após recompor-me da inusitada revelação, cresceu minha compaixão por Mirtes, e fiquei a meditar como cada um de nós tem motivos de sobra para justificar os sofrimentos atuais que supostamente são injustos.

Não se trata, é claro, de punição, de forma alguma! Mas de oportunidade bendita de experimentar a restrição e o isolamento para aprender-se a valorizar a bondade e a igualdade verdadeira que deveria a todos nós caracterizar.

Quem de nós pode afirmar que não errou fragorosamente em experiências pregressas? Quem de nós tem dúvida de que a misericórdia divina é sempre maior do que a nossa necessidade de resgate de nossas consciências perdidas em algum momento, por nossas escolhas equivocadas?

O mais interessante é que, já no dia seguinte a tal revelação, conseguimos o contato de cirurgião plástico que ajudaria gratuitamente nossa amiga a corrigir seu defeito facial.

Outro médico iniciou o tratamento de sua acne.

As ulcerações oculares melhoraram dia após dia.

E no estímulo para que ela retomasse os estudos, ainda que à distância, nas poucas horas de que dispunha, sozinha em seu quarto, quando sua tutelada conciliava o sono, pôde iniciar a possibilidade de conseguir, em futuro breve, uma ocupação melhor.

Mirtes é o protótipo de como alguém, apesar de todas as contingências contrárias, apesar de todo o sofrimento e motivos para a tristeza, preferiu a autoaceitação, ou seja, aceitar, incondicionalmente, que, como aprendizes da vida, trazemos algumas e adquirimos outras limitações e dificuldades para serem transformadas.

Mirtes rechaçou a tristeza, soube esperar.

E agora, suas orações, que eram algo assim, como ela me contou:

Senhor ajuda-me a aceitar o que não posso mudar, e faz de mim uma pessoa melhor

Passaram ser um pouco diferentes agora:

Senhor, eu lhe agradeço por ter me ajudado a esperar! Sei que não posso ter tudo o que gostaria neste mundo, mas sei também que sempre proporciona o melhor para cada um de Seus filhos, de acordo com a necessidade especial de cada um. Obrigada por fazer valer minha esperança! Obrigada, meu Pai.

Sei que Mirtes não mais usa casacos de vison, nem tampouco é servida por lacaios em um palácio de ilusões. Hoje, porém, Mirtes já começa a fazer brilhar a luz que sempre teve, mas que estava oculta.

Não aceitou a ansiedade em ter aquilo que ainda não era hora de ter. E nem elegeu a depressão como mote de sua vida, apesar das inúmeras razões que poderia justificar. Preferiu a paz da resignação operosa, e a alegria de saber que agora começa o tempo de colher.

Motivos para tristeza ela tem, mas compreendeu o verdadeiro sentido da vida – e este se tornou a mola propulsora para prosseguir lutando, altiva, confiante de que um dia tudo melhorará.

***

         Espero que você, meu irmão e amigo, independentemente do tamanho da tristeza ou problema que o atingiu ou atingirá, faça como Mirtes: espere trabalhando, vigie seus pensamentos, aguarde os dias melhores, reforce a certeza de que é um filho amado por Deus. E no tempo certo, também colherá os frutos saborosos de suas escolhas acertadas.

Liberte-se do convite escuro da tristeza que nada resolve! Ocupe-se e não se permita ter horas vazias! Procure ajuda quando sentir que não dará conta sozinho! Mas, principalmente, compreenda que o auxílio que vem do Pai de todos nós nunca faltará, desde que nós tomemos a iniciativa de O buscarmos, e acatarmos o inevitável caminho difícil da ascensão espiritual, que se assemelha a uma montanha íngreme que temos que escalar.

Não tenha dúvidas, naqueles momentos mais difíceis da subida, quando aparentemente estiver sozinho e sem saída, os recursos de Deus o acharão! Basta pedir e esperar!Parte superior do formulário

 

FINAL

 

DR. MARCELO OCCIUTTO É ESCRITOR, MÉDICO OFTALMOLOGISTA E PARTICIPA DO CENTRO ESPÍRITA PERSEVERANÇA EM SÃO PAULO (SP).

 

Sobre Sidney Fernandes

Sidney Fernandes (1948@uol.com.br) nasceu em Bauru, em 1948. Gerente do Banco do Brasil e Empresário, hoje está aposentado e se dedica integralmente à veiculação do Espiritismo. Participou ativamente da Mocidade Espírita até integrar-se ao Centro Espírita Amor e Caridade de Bauru (SP). Escritor e orador profere palestras em várias cidades brasileiras. Veja página deste Autor

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