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Quase me Matei!

Sidney Fernandes

— Meu nome é Patrícia, mas desde que nasci carinhosamente todos me chamam de Pat. Tive uma infância feliz, excelente educação familiar e universitária. Conheci Sérgio na faculdade. Assim que nossas vidas se estabilizaram, resolvemos marcar o casamento.

— Estava tudo pronto. Casa montada, convites remetidos e festa marcada. Até a igreja já estava agendada.

— Eu não imaginava a péssima surpresa que me estava reservada, quando, ao levar alguns presentes para nossa nova casa, encontrei um bilhete de Sérgio, preso na geladeira:

“ — Descobri que não quero me casar com você. Desculpe, mas não tive coragem de lhe falar pessoalmente. ”

Um raio teria feito menos estragos em minha vida. Desesperada, logo pensei no escândalo, nos convidados de fora que iriam chegar e em tudo mais…. Sem pensar, peguei meu carro e saí sem rumo. Ao passar pela beirada de grande ribanceira, joguei o veículo, a fim de dar fim à vida. Tudo terminaria ali, com a minha morte.

— Enganei-me! Acordei numa região fétida, escura, cheia de almas gemendo e sofrendo. Algumas delas me levaram até a borda de uma espécie de poço e me obrigaram a ver as faces sofridas dos meus pais, irmãos e amigos, chorando por causa de minha morte. Em seguida, mostraram-me as crianças que não iriam nascer, por causa do meu suicídio.

— Arrependi-me amargamente do gesto infeliz e comecei a chorar. No meio do sofrimento, vi perfeitamente a aproximação de um espírito iluminado. As almas atormentadas abriram caminho diante daquela claridade. Era o meu avô Alexandre, meu querido Xandinho, que colocou a mão direita sobre a minha cabeça e disse claramente:

“ — Ainda não chegou sua hora, querida Pat. Veja quantas pessoas ficariam infelizes com a sua ausência. Volte e passe a valorizar a vida, presente maior que Deus nos concedeu. Você ainda viverá muitos anos e será muito feliz. Faça sua oração de agradecimento. ”

Acordei num hospital. Os médicos até hoje não sabem explicar o que aconteceu comigo. Eu havia sido dada como morta e voltei. Sei agora como é o outro lado da vida e o quanto devo respeitar a existência. Sei também que, se por um lado, nas experiências de quase morte os relatos são agradáveis, o meu relato é de horror. Por isso, peço que publique este meu depoimento, para que as pessoas jamais pensem em dar fim à própria vida.

— Quase me matei! Dou graças a Deus por ter voltado. Ao lado de meus entes queridos superarei todas as dores e, quem sabe, lá na frente, eu possa encontrar alguém que realmente mereça o meu amor.

***

Esse fato ocorreu há alguns anos. Hoje Patrícia está casada e, ao lado dos filhos e do seu amado marido, teve coragem de dar o corajoso testemunho.

Tenho pouco a acrescentar, amigo leitor, além de dizer que por mais difícil seja a situação em que nos encontremos, procuremos ajuda na medicina, na religião ou no aconselhamento.

E se você conhece alguma pessoa cujo comportamento passou a ser um pouco diferente, nos últimos tempos, jamais a deixe só. Interesse-se por sua vida e procure saber o motivo de sua tristeza. Ofereça sua mão, sua atenção e os seus ouvidos. Tenha em conta que não por acaso você está ao lado dela.

Apeguemo-nos, como sugeriu o avozinho de Patrícia, à oração e a Deus, e tudo mais se resolverá.

 

Nota do autor: Os nomes, naturalmente, foram trocados, mas este relato foi adaptado de uma situação que realmente aconteceu.

Sobre Sidney Fernandes

Sidney Fernandes (1948@uol.com.br) nasceu em Bauru, em 1948. Gerente do Banco do Brasil e Empresário, hoje está aposentado e se dedica integralmente à veiculação do Espiritismo. Participou ativamente da Mocidade Espírita até integrar-se ao Centro Espírita Amor e Caridade de Bauru (SP). Escritor e orador profere palestras em várias cidades brasileiras. Veja página deste Autor

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