Home / Espiritismo / Doutrina Espirita / Pretos velhos e Caboclos nos Centros Espíritas

Pretos velhos e Caboclos nos Centros Espíritas

Outro dia vi o Zé falando uma grande verdade… Ninguém deu bola… Então, trocaram o nome e colocaram: Barão Von Sternove como autor da frase do Zé, daí todos compartilharam… Tornou-se verdade, citação aclamada pelo mundo, afinal fora dita por uma celebridade…

A identidade dos Espíritos é um tema que, desde sempre, chama atenção por diversas razões. Quando uma comunicação é dada para o médium por personalidades da história, nomes consagrados e com grande clamor, em geral são bem recebidas. Parece que a assinatura das comunicações por alguma personalidade conhecida causa um certo frisson e dá credibilidade.

Por isso, quero entrar, neste texto, nas comunicações dadas por pretos velhos e cablocos. E penso que há preconceito quando se fala da manifestação de Espíritos de pretos velhos e caboclos nos Centros Espíritas. Sinceramente, não sei se é por causa do nosso arraigado preconceito em relação aos negros, índios e demais, ou outras razões alheias a isto. O que não se pode negar, entretanto, é que há um certo “torcer o nariz” quando se fala na manifestação dessas entidades nas Casas Espíritas, coisa que não ocorre, por exemplo, quando há manifestação de um padre ou personalidade um pouco mais, digamos, ilustre, do passado.

Algumas pessoas costumam refutar tais manifestações de pretos velhos e caboclos. Em muitas ocasiões, aliás, afirmam que, caso existam manifestações de pretos velhos só podem advir de um Espírito inferior.

Diante de tais narrativas quero apresentar alguns pontos importantes que, com frequência, passam despercebidos. O primeiro é o fato de Allan Kardec ensinar que o conteúdo de uma mensagem mediúnica é sempre mais importante do que a forma ou de quem apresenta a mensagem. Aqui no caso em questão falamos, naturalmente, do Espírito comunicante.

No capítulo 24 de O Livro dos Médiuns – Identidade dos Espíritos – Kardec explana sobre este ponto, informando tratar-se de questão secundária essa identificação. Se o Espírito só diz coisas boas e não se contradiz, pouco importa se é preto velho, caboclo, padre ou algum nome conhecido do passado. Mais importante é, como já dissemos, o conteúdo que a mensagem contém. Para analisar o conteúdo, todavia, faz-se necessário um distanciamento da personalidade que a entidade se apresenta, caso contrário corre-se o risco de fazer-se uma análise superficial.

Um outro ponto de apoio que é encontrado para as manifestações de pretos velhos e caboclos não sofrerem preconceito está, também, em O Livro dos Médiuns, capítulo 6 – Manifestações Visuais. O citado capítulo informa que quando evocados com tal ou qual personalidade que viveram, os Espíritos podem, se assim o quiserem, manifestarem-se com a aparência evocada, mesmo que tenham vivido outras tantas existências depois da personalidade em questão.

Portanto, compreendo que é legítimo e, perfeitamente, factível que o Espírito então, tome a forma e manifeste-se como um preto velho, caso pensem nele assim.

A propósito, encerro este texto da mesma forma que o iniciei, com o já mencionado post do facebook:

Outro dia vi o Zé falando uma grande verdade… Ninguém deu bola… Então, trocaram o nome e colocaram: Barão Von Sternove como autor da frase do Zé, daí todos compartilharam… Tornou-se verdade, citação aclamada pelo mundo, afinal fora dita por uma celebridade…

Wellington Balbo

Professor universitário, Bacharel em Administração de Empresas e licenciado em Matemática, Escritor e Palestrante Espírita com seis livros publicados: Lições da História Humana; Reflexões sobre o mundo contemporâneo; Espiritismo atual e educador; Memórias do Holocausto (participação especial); Arena de Conflitos (em parceria com Orson Peter Carrara); Quem semeia ventos… (em parceria com Arlindo Rodrigues).

Fonte: Agenda Espírita Brasil

Sobre Fernando Rossit

Avatar
Fernando Rossit é funcionário público e reside em São José do Rio Preto. Espírita desde 1978, atua em várias tarefas nas casas espíritas "Associação Espírita Allan Kardec" e "Centro Espírita Irmão Gerônimo".

Veja

Chico – Além da Alegria

Jovens sem Regras e sem Limites

Por que uma grande parcela de nossa juventude é intolerante, desafiadora e não acata regras …

6 comentários

  1. Avatar

    Olá!
    Noto que muitos espiritas, e até nomes conhecidos do Espiritismo no Brasil, têm muito preconceito com as entidades que se manifestam na Umbanda. Acho isso uma total ignorância por parte dos mesmos. Sou médium e Gosto de estudar espiritualidade de forma universal, sem estar preso a uma religião. Entretanto, tenho uma ligação forte com a Doutrina Espirita e a Umbanda. Dessa forma, posso afirmar que tem entidade na Umbanda, principalmente os pretos velhos, que são bastante evoluídos e só usam essa roupagem porque ela se faz necessária dentro da Umbanda. Além disso, muito caboclos que se manifestam como Pena Branca são Mestres Ascensionados.

    Abraço!

    • Avatar
      Rogério Marques

      Muito bem Sávio, muito inteligente e até esclarecedora a tua opinião. Já frequentei o centro Ubanda e tenho muito respeito pelos pretos velhos, Grandes Entidades!
      Para quem não sabe… Dia 13 de Maio é o dia de estas Entidades ( foi uma que me informou), neste dia é o dia de Nossa Senhora de Fátima também. A Entidade neste dia 13
      que me atendeu teve a humildade de dizer que neste dia o mais importante era comemorar o dia da Senhora nossa Mãe!

  2. Avatar

    Gostei!??

  3. Avatar
    Ernani José da Silva berriel

    Umbanda ? Candomblé ? Católica ? Pentecostal ? Não importa, espírito é espírito e pronto. O q se coloca na realidade é a desnecessária mistificação do espiritismo. Para fluir energia, cúpulas energéticas, círculos de cura, passe não existe a necessidade de oferendas, trabalhos, barulhos, cantigas. Podemos atender os objetivos através da força do pensamento, da concentração, da prece, sempre no pensamento positivo e com a reforma de nossos atos e atitudes formamos a psicosfera ideal. Porém alguns irmãos q já tiveram contato com a umbanda e o candomblé podem arraigar misticismos e conduzir isso para uma comunicação mediúnica. Exemplo, uso do fumo (pedir), cantigas entoadas pela entidade (espírito cantar) e por aí vai. Todos sabemos q hoje não existe passividade inconsciente, e q o médium permite ou não certas situações, daí a necessidade da disciplina e estudo. Ou seja, novamente, espírito é espírito, não existe pré conceito, mas existe disciplina e atenção a comunicação.

    • Avatar
      Vanessa Borges

      Ainda existe passividade totalmente inconsciente sim. Esta é uma afirmação particular sua.

  4. Avatar
    Jocelyna Maria Basso

    Muito boa sua explicação embasada na própria literatura kardequiana.
    Quanto não se perdeu por causa desse “preconceito” ou “ignorância” de alguns.
    Obrigada.