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Por Que Sofremos? – Parte 1 – Nascemos para sofrer? – Sidney Fernandes

POR QUE SOFREMOS?

Parte1

Nascemos para sofrer?

Sidney Fernandes – Bauru

1948@uol.com.br

Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil.

 Mateus, 5:26

Por que sofremos? A espiritualidade não se compadece de nós? Não quer a nossa felicidade? Afinal de contas, nascemos para sofrer? É isso que significa viver num mundo de expiações e provas?

Em mais de uma oportunidade, em O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, encontramos claras demonstrações de que os Espíritos se compadecem de nossos sofrimentos:

…pois nos desagradam os sofrimentos materiais ([1]).

Ora, se as nossas dores os desagradam, por que não as suprimem?

É porque eles veem os nossos sofrimentos como meios para alcançarmos melhor estado, o nosso progresso.

Enxergam ([2]) as coisas de outro ponto de vista, diferente do nosso, aqui do plano material.

Veem, nas amarguras da vida, um meio de nos adiantarmos, como se fossem crises ocasionais, de que resultarão a salvação do doente. Os Espíritos mais se afligem pelos nossos males devidos a causas de ordem moral, do que pelos nossos sofrimentos físicos, todos passageiros.

Por que existem cercas elétricas nos espaços em que se criam animais? São medidas de contenção para que ali permaneçam. Da mesma forma, espíritos que insistem em manter comportamento ou atitude que destoe das regras divinas, não raramente também precisam de medidas restritivas. Determinadas doenças ou limitações físicas são agregadas ao nosso perispírito, forma da forma do nosso corpo, para não repetirmos vícios crônicos de outras vidas.

Assim, por exemplo, um renitente alcoólatra de várias vidas, solicitará, ou a ele será imposta, séria intolerância física ao álcool. É a cerca elétrica para que ele permaneça no espaço adequado e se liberte do comportamento indevido. A doença ou limitação física representará mecanismo de contenção, solicitado pelo devedor, no momento do ingresso a novo vaso físico, ou imposto pelos patrocinadores de nossa reencarnação.

Como domar um animal selvagem? A doma tradicional pressupõe a imposição da inteligência e da força do homem. A chamada doma tradicional, ou, nos países de língua espanhola, doma gauchar, é o método mais rápido para se executar o processo disciplinatório de um equino. Embora esta prática possa ser considerada uma demonstração de força e beleza, para alguns é método truculento e violento com o animal.

Como contraparte, existe a chamada doma gentil, que consiste em uma paciente e meticulosa técnica na qual não se emprega a força bruta para submeter o animal. Tem como objetivo a formação de um tipo de laço de amizade entre o homem e o equino, que passa a permitir ser montado.

Neste processo, que é mais demorado e pode levar algumas semanas, busca-se ganhar a confiança do animal mediante o oferecimento de alimentos, ao mesmo tempo que lhe são oferecidas carícias e outras demonstrações de afeto. Em nenhum momento lhe é incutida dor ou medo.

O animal domado desta maneira não fica traumatizado e não costuma mostrar atitudes temerosas, e por esse motivo é considerado especialmente confiável e leal para com seu dono, apresentando um caráter manso e bonachão. Em alguns tipos de doma gentil, o passo final — montar no animal — é realizado dentro de uma lagoa ou rio, onde a densidade da água contém fisicamente a resistência do equino.

Alguma semelhança dos métodos para domesticar animais, com a metodologia da espiritualidade para domar espíritos rebeldes? Ou com a velha expressão se não vai pelo amor, vai pela dor ou, ainda, do vocabulário popular sertanejo cavalo comedor, cabresto curto?

Não nascemos para sofrer. Nosso mergulho ao planeta Terra com o escafandro da carne tem por objetivo maior a nossa transformação, com vistas ao nosso progresso. No entanto, quando empacamos e nos recusamos a adequar nossa vida ao preconizado pela espiritualidade, as esporas se fazem necessárias, para que aprumemos a nossa marcha.

Vivamos de tal forma que o sofrimento seja adstrito ao desconforto de viver num mundo de expiações e provas, para que ele seja necessário tão somente nos momentos em que nos esqueçamos de nossos compromissos.

Com essa preocupação constante, tornar-se-ão desnecessárias as esporas da força bruta e as dores que alinham nossa existência.

 

REFERÊNCIAS

([1]) O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, questão 859.

([2]) O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, questão 487.

Sobre Sidney Fernandes

Sidney Fernandes (1948@uol.com.br) nasceu em Bauru, em 1948. Gerente do Banco do Brasil e Empresário, hoje está aposentado e se dedica integralmente à veiculação do Espiritismo. Participou ativamente da Mocidade Espírita até integrar-se ao Centro Espírita Amor e Caridade de Bauru (SP). Escritor e orador profere palestras em várias cidades brasileiras. Veja página deste Autor

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