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Os Suicidas e as Pessoas Más

Vemos, com certa frequência, a forma descaridosa com que muitos espíritas tratam aqueles que anteciparam a morte do corpo físico pelo meio equivocado do suicídio.

Fruto da ignorância que gera o preconceito, ouvimos críticas de forma velada, mas também direta e cruel, em comentários a respeito de pessoas paraplégicas, dos cadeirantes em geral, daqueles que tratam de doenças incuráveis, dos surdos-mudos, para citar alguns poucos exemplos. Dizem: – é a Lei de Causa e Efeito; estão pagando pelo que fizeram com o próprio corpo…

Em preces em favor dos irmãos suicidas, costumo repetir: “Jesus, tenha piedade deles, não são pessoas más”.

Sim, meus amigos, os maus permanecem entre nós se utilizando de todas as armas para se manter no poder, destruindo vidas, promovendo a desinformação e a mentira, pregando o ódio e a discórdia, destruindo a educação que liberta, difamando aqueles que lutam pelo bem e conquistas da humanidade, estimulando a discórdia e o preconceito contra negros, homossexuais e mulheres, assassinando crianças e adultos com a miséria e desnutrição que impõem por meio de diretrizes macroeconômicas que só beneficiam os mais ricos.

Os maus se encontram entre nós destruindo nossa esperança, atacando instituições democráticas, roubando nossas conquistas civilizatórias, muitas vezes usando o nome de Deus para mascarar sua baixeza, enriquecendo-se às custas de pessoas humildes, fracas e desesperadas que deveriam, por dever, socorrer.

Incrível como o mal é intrigante, audaz e desafiador e como aqueles que lutam pela paz, alegria e justiça são alvo fácil nas suas mãos.

Por quanto tempo ainda perdurará a assertiva do Espírito da Verdade: “o mal predomina por fraqueza dos bons”? (1)

Naturalmente não se trata de fraqueza física, mas de fraqueza moral – e, nesse sentido, se permitirem, acrescentaria: omissão e covardia dos bons!

Necessitamos ouvir os gritos que clamam por socorro: gritos de dor, de fome, de angústia, de perda, de frustação, de sede, de desabrigado, de doente. Gritos de abandono, de solidão, de quem está perdido e desiludido. Grito de quem está cansado, de quem não aguenta mais. (2)

Estamos entre as principais economias do globo, entretanto ocupamos os primeiros lugares em desigualdade social. Os cinco homens mais ricos do nosso país concentram a mesma riqueza que outros 100 milhões de brasileiros. Cinquenta milhões de brasileiros vivem na extrema pobreza com uma renda de, no máximo, R$ 89,00 por mês.

Brasil é o país que mais mata a sua população no mundo: 50 mil, em média, por ano. Uma pessoa a cada 9 minutos – mais que as guerras atuais.

Numa recente matéria da revista britânica “The Economist”, o Brasil ficou em antepenúltimo lugar no índice de engajamento cívico entre vários países da américa latina. Segundo pesquisas internacionais estamos no segundo lugar em índice de ignorância e de percepção da realidade. Somos aqueles que menos possuem conhecimento geral e capacidade de interpretação da realidade que vivemos.

Coração do Mundo, Pátria do Evangelho?

Até quando ficaremos deitados em berço esplêndido?

 

Fernando Rossit

(1) O Livro dos Espíritos, questão 932.

(2) mensagem de whatssap recebida de Jorge Turco, meu amigo, indignado com a situação que vivemos.

(3)  desigualdade social: https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2021/06/24/distribuicao-riqueza-nacional—brasil.htm

(4) assassinatos: https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2018-06/brasil-ultrapassa-marca-de-62-mil-homicidios-por-ano

(5) engajamento: https://humanitas360.org/project/indice-de-engajamento-cidadao/

(6) ranking de ignorância: https://exame.com/brasil/brasil-fica-em-2o-em-ranking-de-ignorancia-sobre-a-realidade/

(7) texto baseado e inspirado em vídeo de Alan Maia: https://www.youtube.com/watch?v=0_y8CqkLXVk

Sobre Fernando Rossit

Fernando Rossit é funcionário público e reside em São José do Rio Preto. Espírita desde 1978, atua em várias tarefas nas casas espíritas "Associação Espírita Allan Kardec" e "Centro Espírita Irmão Gerônimo".

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