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Os ASSEXUAIS: A Total falta de Desejo Sexual

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Comer um bolo é bem melhor. Isso mesmo: esse é o símbolo dos chamados ASSEXUAIS – pessoas que não têm interesse em fazer sexo.

“É uma forma de viver a sexualidade caracterizada pelo desinteresse sexual, que pode vir acompanhada ou não do desinteresse amoroso”, explica a pedagoga brasileira Elisabete Regina de Oliveira, autora do doutorado “Minha Vida de Ameba”, defendido em maio de 2015. Durante quatro anos, ela estudou a vida de 40 assexuais, de 15 a 59 anos, e hoje é figura central quando se trata do tema no Brasil.

Você imagina viver sem vontade alguma de fazer sexo? Pois existe muita gente que leva a vida muito bem dessa maneira. E eles não são celibatários nem puritanos. São assexuais, pessoas que nasceram sem o desejo de manter relações sexuais e, em alguns casos, nem amorosas.

Depoimentos:

“Ela começou a brigar comigo. Me chamou de gay, de homossexual”.

(Richard Harts da Silva, 27, saía com uma garota e, por volta de três meses de namoro, não teve mais como fugir. Na hora H, depois de muitas investidas, contou para a companheira que não queria ter relações sexuais)

“Como não existe um diagnóstico que justifique minha falta de libido, então é algo simplesmente natural para mim.”

(Nétto Sanchez, 20, depois de passar por duas psicólogas, chegou até a fazer exames de dosagem hormonal para descobrir se havia um problema com seu corpo. Resultado: tudo em dia)

O que os dois têm em comum? A total falta de desejo sexual. Os assexuais, como se autodenominam, são uma minoria em busca de expressão. Em um primeiro momento, pode não ser fácil entender como vivem, mas para começar entenda que se trata de uma questão de identidade e está muito mais próxima de uma orientação sexual do que uma escolha ou fase.

Se existem muitas pessoas fazendo sexo sem amor, por que não é possível existir amor sem sexo?

Apesar da lógica da citação, viver sem sexo não é algo muito bem compreendido pela sociedade.

“Um assexual não é alguém que entrou em um relacionamento e o sexo não era bom”, afirma. Para eles, o coito é uma forma de agressão ao próprio corpo. Muitos, no entanto, fazem sexo, porque gostam de alguém e querem agradar essa pessoa.

Outros acabam buscando relacionamentos como uma forma de aliviar as cobranças sociais por uma vida como manda o figurino: namoro, casamento, filhos, férias na Disney. Um dos entrevistados de Elisabete até cogitou virar padre para, assim, se livrar das perguntas da família e das suspeitas de que era gay. No fim, acabou se casando com uma colega da faculdade. “Quando eu o entrevistei, ele já estava havia seis anos sem fazer sexo com a mulher”, conta a pedagoga.

NÃO É UMA DOENÇA

Em uma sociedade sexonormativa e hipersexualizada, é estranho, quase inaceitável, acreditar que a ausência de desejo sexual não seja causada por uma patologia ou trauma. Mas para a médica psiquiatra e sexóloga Carmita Abdo, fundadora e coordenadora geral do Prosex (Projeto de Sexualidade do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo), a falta de libido pode, sim, ser constitucional da pessoa e nem sempre está relacionada a algum problema físico, como a baixa hormonal – normalmente apontada como uma das principais causas do desinteresse sexual.

“As pessoas que não fazem sexo e não se preocupam ou sofrem por causa disso podem viver a vida delas e não precisam de qualquer intervenção, pois não são passíveis de serem diagnosticadas nem de serem tratadas”, afirma Carmita. Segundo a médica, isso é completamente diferente do caso de quem não consegue ter interesse e sofre, porque gostaria de ter uma vida sexual ativa.

1 A CADA 100 PESSOAS É ASSEXUAL

Duas pesquisas indicam que essa condição atinge 1% da população mundial. Uma feita na década 40 pelo biólogo Alfred Kinsey, ao criar a Escala de Kinsey, que visa medir o comportamento sexual das pessoas. Na época, 1% dos entrevistados apontaram que não tinham desejo sexual.

A importância da internet

ELES NÃO ESTÃO SOZINHOS

Muito provavelmente esse fenômeno de descoberta não existiria se não fosse pela internet e pelo norte-americano David Jay, fundador da Aven (Rede de Visibilidade e Educação Assexual) – primeira grande comunidade assexual online. Fundada em 2001, a Aven, que no começo era apenas um fórum na internet, hoje é uma entidade que luta pelos direitos dos assexuais nos EUA e possui cerca de 90 mil integrantes ao redor do mundo. O site tem versões traduzidas em mais de 15 países.

Jay, 33, conta que descobriu sua assexualidade por volta dos 13 anos. É normalmente no início da adolescência, quando a maioria dos jovens passa a ter interesse em namoros, que muitos assexuais percebem que são diferentes. “Todos os meus amigos falavam sobre gostar de alguém, os adultos me diziam que a sexualidade era algo que começaria a sentir de novas maneiras e isso não acontecia”, afirma.

Nativo digital, o então adolescente resolveu fazer um fórum na internet para encontrar outras pessoas que se sentiam como ele. Foi quando criou o site asexuality.org e conversou, pela primeira vez, com outro assexual.

Me senti sozinho por toda a vida e, de repente, alguém me entendeu.

Para Jay, a internet foi o único jeito que a comunidade achou para se encontrar e ainda é onde a maioria das discussões sobre assexualidade acontece. Se não fosse pelas facilidades da rede, talvez muita gente seguiria a vida achando que é de alguma forma doente.

 

Qual seria a causa espiritual da ASSEXUALIDADE?

Realmente estamos longe de compreendermos a sexualidade, como nos diz Emmamuel em seu livro “Vida e Sexo”. Quando pensamos em comportamento sexual já ligamos o assunto à prática sexual, ao coito. No entanto, os Espíritos, em O Livro dos Espíritos”, como também em diversas mensagens e livros psicografados, nos ensinam que o conceito de normalidade e de anormalidade não se aplica à sexualidade, excetuados nos casos comprovadamente patológicos.

O sexo do ser humano é definido pelos órgãos sexuais. A sexualidade tem sua raiz no Espírito ou alma. Basicamente, do ponto de vista morfológico, existem dois sexos: masculino e feminino. Mas isso não acontece com a sexualidade. “Como cada um é cada um” (individualidade), e como a sexualidade se radica nas entranhas da alma, temos 7 bilhões de sexualidades na Terra – número correspondente à sua população. Dessa forma, impossível querer comparar uma pessoa com a outra, muito embora existam similaridades no comportamento sexual.

No caso específico dos ASSEXUAIS verificamos que não se trata de provação nem expiação, porque são felizes do jeito que são e esta condição não lhes traz nenhum tipo de conflito ou sofrimento.

A Ciência já está abandonando os conceitos de heterossexualidade, homossexualidade e bissexualidade, justamente por esta razão: não há como restringir a sexualidade das pessoas em grupos com padrões definidos de comportamento.

Certa feita, uma repórter procurou Chico Xavier para uma entrevista em Uberaba. Cética, começou a julgar o médium, em pensamento, antes da entrevista. Quando aproximou-se de Chico, o médium tomou a palavra de disse: – Não sou homossexual como você está pensando. Eu apenas não sinto desejo sexual.

Essa é uma grande confusão que as pessoas fazem: confundir a falta de desejo sexual com homossexualidade. Pura ignorância.

Os Espíritos não tem sexo porque não tem corpo físico como o nosso, considerando que o sexo é definido pelas genitálias. No entanto, possuem sexualidade. Fiquem atentos para a questão nº 200 de “O Livro dos Espíritos”:

Questão nº 200 Os Espíritos têm sexo?

– Não como o entendeis, porque o sexo depende do organismo físico. Existe entre eles amor e simpatia, mas fundados na identidade dos sentimentos.

“Existe entre eles amor e simpatia, mas fundados na identidade dos sentimentos.”

Pois é: amor e simpatia entre as pessoas é pura manifestação da sexualidade. No entanto, na época da Codificação Espírita, este termo e seu significado ainda não existiam, pois sua criação é recente.

Aliás, por não existir, muitos profissionais da área afirmam que Freud se referia à sexualidade quando dizia que “Tudo é Sexo”. Se substituirmos sexo por sexualidade, a frase fica completa:

“Tudo é sexualidade”

 

Fernando Rossit

Fontes:

-UOL

-O Livro dos Espíritos, Kardec

-Vida e Sexo, Emmanuel

Sobre Fernando Rossit

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Fernando Rossit é funcionário público e reside em São José do Rio Preto. Espírita desde 1978, atua em várias tarefas nas casas espíritas "Associação Espírita Allan Kardec" e "Centro Espírita Irmão Gerônimo".

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