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O Reino de Deus

reino-de-deus-626x380Buscai primeiramente o Reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Jesus (Mateus 6:33 )*

A orientação acima foi dada pelo Senhor Jesus no penúltimo versículo do capítulo seis do Evangelho de Matheus, e foi dita após o Senhor discorrer sobre nossas preocupações e buscas para satisfação de nossas necessidades materiais, sejam elas reais ou fictícias.

Ao estudarmos o referido capítulo percebemos que o Senhor Jesus está nos chamando a atenção para as preocupações relacionadas às coisas materiais que se fazem presentes em nossas vidas, e por isso Ele nos dá a orientação que pode ser considerada como um objetivo natural a ser perseguido pelo espírito imortal.

No diálogo com Pilatos o Senhor nos esclarece dizendo “o meu reino não é deste mundo” (1), o que significa que o reino Dele não é o mundo material, e sim o mundo espiritual, que a Doutrina Espírita esclarece como sendo o a pátria de onde se origina o espírito imortal.

O mundo material passa a ser um campo de trabalho desse mesmo espírito, para seu desenvolvimento rumo à perfeição, e não tem a característica de perenidade para o espírito.

Com isso podemos deduzir que o mundo espiritual é o Reino a que o Senhor se refere, e que deve ser o objetivo primeiro do espírito, e que nesse Reino existe uma justiça, que para funcionar, adequadamente, deve estar assentada em Leis.

Essas Leis, que regem o Reino do Espírito são, portanto, Leis Morais, e estão escritas em nossa consciência, conforme nos esclarecem os Espíritos Superiores através da questão seiscentos e vinte e um de O Livro dos Espíritos.

Continuando a análise da orientação do Senhor Jesus, a garantia de que todas as coisas serão acrescentadas está relacionada às necessidades espirituais, e não materiais, porque o que se objetiva com a encarnação é o progresso espiritual e não material. Por isso, toda e qualquer intenção de se aproximar do Senhor com olhos na materialidade e na satisfação dos sentidos corporais estará fundamentada na infantilidade espiritual, que sempre denotará atraso moral do indivíduo.

Não pode haver trato mercantil com o que é espiritual.

Quando de sua reencarnação o espírito planeja, antecipadamente, sua existência futura partindo da premissa que o que lhe interessa é a renovação moral, através da substituição dos hábitos e tendências menos felizes por novos valores em consonância com a Lei Moral, e com isso estabelece um padrão material que fará com que experimente o que é necessário à sua condição moral enquanto espírito imortal.

São justamente essas condições e situações na vida de encarnado que serão acrescentadas ao espírito pela Providência Divina, se ele buscar o Reino e sua justiça, para que ele consiga o progresso planejado.

Quando se interpreta adequadamente a orientação do Senhor Jesus, colocando-a em prática, tira-se melhor proveito da vida física, sem ferir a Lei Moral, e em consequência tranquiliza-se a consciência, e esta produzirá uma sensação de felicidade íntima que corresponderá a outro esclarecimento dado pelo Senhor de nossas vidas quando diz “…o reino de Deus não vem de modo visível, nem dirão: vede aqui ou vede ali; pois o Reino de Deus está dentro de vós” (2).

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro

Referências Bibliográficas:
(1) João 18:36
(2) Lucas 17:20-21
* Todas as citações evangélicas foram retiradas de O Novo Testamento, tradução de Haroldo Dutra Dias.

Sobre Antonio Carlos Navarro

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Espírita de São José do Rio Preto - SPFrequentador e Dirigente do Centro Espírita Francisco Cândido Xavier em São José do Rio Preto, SP. Estudioso, palestrante e editor de inúmeros textos e conteúdo EspíritaGênero de livros Espírita que prefere: Mediunidade, DoutrinárioIniciou seus primeiros contatos com a Doutrina Espirita: 1986

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