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O Futuro Será Neutro

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A jornalista Carol Patrocinio matriculou o filho Chico, 5, numa escola que considera “democrática”. Para ela, isso significa um espaço no qual não haja divisão de brinquedos e atividades entre meninos e meninas, por exemplo. Carol deseja para seu filho um ambiente que reflita a igualdade de gênero.
“Quando o Chico chegou [na escola nova], ele estava com uma mochila da Monster High [franquia infanto-juvenil de bonecas] e aí uma menina perguntou para a tutora por que ele estava com uma mochila de menina”, conta Carol. A funcionária pensou um pouco e perguntou se a garota gostava de jogar futebol. “Gosto”, ela respondeu. “E futebol é coisa de menino?”, questionou. A menina respondeu que não. “Então por que Monster High é coisa de menina? Aí a criança falou ‘ah, é verdade’, saiu e foi seguir a vida”, completa.
A experiência do Chico é uma maneira de falar sobre gênero na escola. Mas é importante ficar claro: defender essa neutralidade não quer dizer abolir o sexo feminino e masculino nem a orientação sexual. Os gêneros sempre existirão, há um fator biológico envolvido, e a orientação do desejo sexual não é algo que se ensina. A ideia é diminuir a separação entre as coisas “de menino” e “de menina”.
Isso vale para brinquedos, roupas, atividades, esportes e profissões. Ou seja, para a vida. “Temos uma sociedade em que sexo e gênero são realmente importantes para as pessoas, então acredito que vamos continuar nos identificando como mulher ou homem. Isso, contudo, não deveria fazer diferença no modo como nos tratamos”, afirma Carrie Paechter, professora do departamento de educação da Universidade de Londres.
Se no Brasil falar sobre diversidade e gênero nas escolas ainda é tabu, há países em que a igualdade entre masculino e feminino já avançou tanto que acabou surgindo um terceiro gênero, o neutro. Em abril de 2015, um pronome pessoal neutro (o “hen”) foi incorporado oficialmente ao vocabulário da Suécia – quarta colocada no ranking de igualdade entre gêneros elaborado anualmente pelo Fórum Econômico Mundial. Hoje, a Islândia ocupa a primeira posição, seguida de Finlândia e Noruega.
Em setembro de 2015, circulou pela internet a imagem de um comunicado interno do tradicional colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, escrito com a letra “X” como forma de suprimir o gênero. Outra foto trazia o cabeçalho de uma prova de biologia com a palavra “Alunx” no campo reservado para o nome.
Oscar Halac, reitor da escola, não tem autoridade para mudar a ortografia, mas ressalta que “a ideia é chamar atenção da sociedade e mostrar que, quando não há tolerância, só se causa dor e sofrimento ao próximo”. E acrescenta: “O real ‘X’ da questão é a nossa capacidade de aceitar e conviver com pessoas mais felizes”.
A linguagem já se mostrou aliada na construção de um futuro unissex. Mas, ainda que o código seja fundamental, o mais importante segue sendo o conteúdo transmitido. Principalmente quando o receptor é uma criança, que aprende imitando os adultos que estão ao seu redor.
“Quando se fala em tratar de um modo neutro, não significa bagunçar a cabeça das crianças nem fazer com que elas fiquem perdidas ou deixem de se definir [como homem ou mulher]. A maioria não coloca isso como uma grande questão”, explica Cláudia Vianna, professora doutora da faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo). Mas para as que colocam, seria um alívio saber que não tem problema em se sentir diferente.

A identidade de gênero não precisa ser a mesma da orientação sexual. Por exemplo, uma garota pode não se identificar com a imagem que ela tem. Então ela se sente mais identificada com o gênero masculino e passa a se vestir como menino. Mas ela pode continuar gostando de homens.
Se crianças são encorajadas a testarem todos tipos de brinquedos e roupas, por exemplo, então assim elas poderão encontrar as coisas que mais combinam com elas enquanto seres humanos”, afirma. Nesse movimento, a cargo dos educadores ficaria a responsabilidade de quebrar essas barreiras. “Se as crianças começarem a falar que só menina veste rosa, então um adulto deveria aparecer usando uma camiseta rosa e apontar isso para elas.

Bárbara Stefanelli
UOL

Sobre Fernando Rossit

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Fernando Rossit é funcionário público e reside em São José do Rio Preto. Espírita desde 1978, atua em várias tarefas nas casas espíritas "Associação Espírita Allan Kardec" e "Centro Espírita Irmão Gerônimo".

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Originally posted 2017-03-02 22:03:35.