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O Cheiro do Medo

Sidney Fernandes

Transpiração revela o medo

Uma equipe de pesquisadores comandada por Lilianne Mujica-Parodi, da Universidade Stony Brook, do Estado de Nova York, coletou suor de 144 pessoas expostas à assustadora experiência de saltar de um avião, em queda livre. As mesmas pessoas forneceram o seu suor após correrem numa esteira, durante o mesmo tempo que durou o salto, à mesma hora do dia.

A primeira experiência — queda livre — produziu estresse emocional, não físico, atestado pelo alto nível de cortisol, hormônio liberado em condições de luta ou fuga. A segunda experiência — exercício na esteira — produziu apenas estresse físico, mas não emocional.

As amostras foram apresentadas a outro grupo de participantes. Ao inspirar o suor de uma pessoa estressada ou com medo, voluntários apresentaram a mesma ativação cerebral dos sensores emocionais compatíveis com as situações estressantes. Em outras palavras, não necessariamente pelo olfato, mas por uma reação do cérebro, os voluntários puderam distinguir o suor do medo do suor comum.

Isso sugeriu que o suor do medo pode criar, no cérebro de uma pessoa, um tipo de vigilância acentuada, relacionada com o estresse vivenciado pelo agente que realmente passou pela experiência desagradável.

Cientistas concluíram que, da mesma forma que acontece com os animais, os humanos possuem um sistema químico de alerta do cérebro para reagir a ameaças iminentes, sejam elas reais, imaginárias ou sugeridas.

Obsessores farejam suas vítimas?

Embora de forma não literal e sim metafórica, podemos afirmar que espíritos obsessores podem ser atraídos pelo cheiro de suas vítimas. Afirma Allan Kardec, na parte final d’O Evangelho Segundo o Espiritismo, que os espíritos maus farejam as chagas da alma, como as moscas farejam as chagas do corpo.

Dessa forma, pode acontecer de espíritos doentes serem atraídos pelas imperfeições de suas vítimas. Para se defenderem do jugo dos perseguidores, elas precisarão livrar-se de suas impurezas que servem de atrativo, assim como fazemos a higiene do corpo que nos livra dos maus odores que atraem moscas.

Espíritos inferiores “sentem” a presença de mentores

Em Missionários da Luz, de André Luiz, encontramos um aposento bem mobiliado onde se encontravam três espíritos desencarnados, de baixo padrão vibratório, que conversavam entre si a respeito de suas ações ofensivas. Sem mesmo perceber a presença dos espíritos superiores, comentavam as dificuldades de operacionalização de suas providências:

— Quando isso ocorre — disse um deles — é que há mãos de anjos trabalhando por trás.

— Pois que vão para o inferno! — esbravejou outro, argumentando que se existiam mãos de anjos trabalhando, eles tinham mãos de demônios para agir também.

Em meu livro Luzes no Brasil, descrevo as providências que viabilizariam a gravidez de Carolina, para que Maria, espírito elevado, fosse concebida. Era necessária, antes de mais nada, a limpeza do ambiente doméstico. No local havia algumas entidades desencarnadas de baixíssimo nível vibratório que trocavam ideias insanas entre si, buscando prevenir-se contra a aproximação de espíritos protetores.

Mesmo sem perceber a visitação espiritual superior, os perseguidores começaram a se sentir deslocados e de maneira extremamente desconfortável.

— Estou desconfiado — disse um dos infelizes irmãos — que mãos de anjos começaram a trabalhar por aqui.

Com efeito, as afeições do plano espiritual atraíram amizades de zona superior, motivando a futura mãe a bem recebê-las e auscultá-las em seu mais profundo íntimo.

Sintonia é tudo

O cheiro detectado pelo espírito desencarnado nada mais é que a exteriorização de seu pensamento, sintonizado por outro espírito. Onde colocamos o pensamento, aí está a nossa própria vida. Nossa alma vive onde se lhe situa o coração.

Espíritos inferiores exploram as nossas fraquezas quando temos medo, dúvida ou maus sentimentos. Isso significa quebra de padrão vibratório, que é aproveitada por entidades que querem estabelecer domínio sobre outras.

As chamadas mãos de anjos nada mais são do que vibrações de alto nível espiritual, incompatíveis com sentimentos de mágoa, ressentimento e medo, que provocam atmosfera desagradável aos que se mantêm ligados ao psiquismo inferior.

Temos que curar feridas para não atrair moscas, isto é, espíritos doentes, que farejam as chagas da nossa alma.

Vigiemos o pensamento e apliquemo-lo, incessantemente, no trabalho e no bem. Dessa forma não mais exalaremos aromas desagradáveis, capazes de serem sintonizados por almas infelizes.

Todos somos sensitivos. Por nosso intermédio transitam pensamentos, que deverão encontrar canalização adequada, sob pena de oferecermos um leito de lama para a água pura que obtemos da espiritualidade, quando sinceramente elevamos o pensamento em comunhão com a divindade.

Pensar e executar o bem é o caminho. Amor e sabedoria são as asas que precisam ser adquiridas e exercitadas, em nossas jornadas evolutivas.

Referências: Seleções do Reader’s Digest, fevereiro/2021; Libertação, Missionários da Luz, Nos Domínios da Mediunidade e No Mundo Maior, André Luiz.

Sobre Sidney Fernandes

Sidney Fernandes (1948@uol.com.br) nasceu em Bauru, em 1948. Gerente do Banco do Brasil e Empresário, hoje está aposentado e se dedica integralmente à veiculação do Espiritismo. Participou ativamente da Mocidade Espírita até integrar-se ao Centro Espírita Amor e Caridade de Bauru (SP). Escritor e orador profere palestras em várias cidades brasileiras. Veja página deste Autor

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