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ANTE O DIVÓRCIO

Domingo é o dia em que muitos espíritas reservam para o evangelho no lar, publicaremos semanalmente seções deste livro para inspirá-los.

 

21 – ANTE O DIVÓRCIO

 

Toda perturbação no lar, frustando-lhe a viagem no tempo, tem causa específica. Qual

 

acontece ao comboio, quando estaca indebitamente ou descarrila, é imperioso angariar a

 

proteção devida para que o carro doméstico prossiga adiante.

 

No transporte caseiro, aparentemente ancorado na estação do cotidiano (e dizemos

 

aparentemente, porque a máquina familiar está em movimento e transformação incessantes),

 

quase todos os acidentes se verificam pela evidência de falhas diminutas que, em se

 

repetindo indefinidamente, estabelecem, por fim, o desastre espetacular.

 

Essas falhas, no entanto, nascem do comportamento dos mais interessados na sustentação

 

do veículo ou, propriamente, do marido e da mulher, chamados pela ação da vida a

 

regenerar o passado ou a construir o futuro pelas possibilidades da reencarnação no

 

presente, falhas essas que se manifestam de pequeno desequilíbrio, até que se desencadeie

 

o desequilíbrio maior.

 

Nesse sentido, vemos cônjuges que transfiguram conforto em pletora de luxo e dinheiro,

 

desfazendo o matrimônio em facilidades loucas, como se afoga uma planta por excesso de

 

adubo, e observamos aqueles outros que o sufocam por abuso de sovinice; notamos os que

 

arrasam a união conjugal em festas sociais permanentes e assinalamos os que a destroem

 

por demasia de solidão; encontramos os campeões da teimosia que acabam com a paz em

 

família, manejando atitudes do contra sistemático, diante de tudo e de todos, e identificamos

 

os que a exterminam pelo silêncio culposo, à frente do mal; surpreendemos os fanáticos da

 

limpeza, principalmente muitas de nossas irmãs, as mulheres, quando se fazem mártires de

 

vassoura e enceradeira, dispostas a arruinar o acordo geral em razão de leve cisco nos

 

móveis, e somos defrontados pelos que primam no vício de enlamear a casa, desprezando a

 

higiene.

 

Equilíbrio e respeito mútuo são as bases do trabalho de quantos se propõem garantir a

 

felicidade conjugal, de vez que, repitamos, o lar é semelhante ao comboio em que filhos,

 

parentes, tutores e afeiçoados são passageiros.

 

Alguém perguntará como situaremos o divórcio nestas comparações. Divorciar, a nosso ver,

 

é deixar a locomotiva e seus anexos. Quem responde pela iniciativa da separação decerto

 

que larga todo esse instrumental de serviço à própria sorte e cada consciência é responsável

 

por si. Não ignoramos que o trem caseiro corre nos trilhos da existência terrestre, com

 

autorização e administração das Leis Orgânicas da Providência Divina e, sendo assim, o

 

divórcio, expressando desistência ou abandono de compromisso, é decisão lastimável,

 

conquanto às vezes necessária, com raízes na responsabilidade do esposo ou da esposa

 

que, a rigor, no caso, exercem as funções de chefe e maquinista.

 

Emmanuel

 

Luz No Lar – vários espíritos – Chico Xavier – Editora FEB.
Se você Gostou deste livro e tem condições de adquiri-lo, faça-o pois assim estarás ajudando diversas instituições de caridade.

 

Originally posted 2013-10-06 18:00:00.

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