quarta-feira , novembro 21 2018
Home / Espiritismo / Doutrina Espirita / Este menino tem o diabo no corpo (História de Chico Xavier quando era criança)

Este menino tem o diabo no corpo (História de Chico Xavier quando era criança)

2

Quando Dona Maria João de Deus desencarnou, em 29 de setembro de 1915, Chico Xavier, um de seus nove filhos, foi entregue aos cuidados de Dona Rita de Cássia, velha amiga e madrinha da criança.

Dona Rita, porém, era obsidiada e, por qualquer bagatela, se destemperava, irritadiça.

Assim é que o Chico passou a suportar, por dia, várias surras de varas de marmeleiro, recebendo, ainda, a penetração de pontas de garfos no ventre, porque a neurastênica e perversa senhora inventara esse estranho processo de torturar.

O garoto chorava muito, permanecendo horas e horas, com os garfos dependurados na carne sanguinolenta e corria para o quintal, a fim de desabafar e, porque a madrinha repetia, nervosa:

— Este menino tem o diabo no corpo.

Um dia, lembrou-se a criança de que a Mãezinha orava sempre, todos os dias, ensinando-o a elevar o pensamento a Jesus e sentiu falta da prece que não encontrava em seu novo lar.

Ajoelhou-se sob velhas bananeiras e pronunciou as palavras do Pai Nosso que aprendera dos lábios maternais. Quando terminou, oh! Maravilha! Sua progenitora, Dona Maria João de Deus, estava perfeitamente viva ao seu lado. Chico, que ainda não lidara com as negações e dúvidas dos homens, nem por um instante pensou que a Mãezinha tivesse partido para as sombras da morte. Abraçou-a, feliz, e gritou:

— Mamãe, não me deixe aqui… Carregue-me com a senhora…

— Não posso, — disse a entidade, triste.

— Estou apanhando muito, mamãe!

Dona Maria acariciou-o e explicou:

— Tenha paciência, meu filho. Você precisa crescer mais forte para o trabalho. E quem não sofre não aprende a lutar.

— Mas, — tornou a criança — minha madrinha diz que eu estou com o diabo no corpo.

— Que tem isso? Não se incomode. Tudo passa e se você não mais reclamar, se você tiver paciência, Jesus ajudará para que estejamos sempre juntos.

Em seguida, desapareceu.

O pequeno, aflito, chamou-a em vão.

Desde esse dia, no entanto, passou a receber o contato de varas e garfos sem revolta e sem

lágrimas.

— Chico é tão cínico — dizia Dona Rita, exasperada, — que não chora, nem mesmo a pescoção.

Porque a criança explicava ter a alegria de ver sua mãe, sempre que recebia as surras, sem chorar, o pessoal doméstico passou a dizer que ele era um “menino aluado”.

E, diariamente, à tarde, com os vergões na pele e com o sangue a correr-lhe em pequeninos filetes do ventre o pequeno seguia, de olhos enxutos e brilhantes, para o quintal, a fim de reencontrar a mãezinha querida, sob as velhas árvores, vendo-a e ouvindo-a, depois da oração.

Assim começou a luta espiritual do médium extraordinário que conhecemos.

 

Ramiro Gama

 

Originally posted 2015-08-16 22:11:48.

Sobre Fernando Rossit

Fernando Rossit é funcionário público e reside em São José do Rio Preto. Espírita desde 1978, atua em várias tarefas nas casas espíritas "Associação Espírita Allan Kardec" e "Centro Espírita Irmão Gerônimo".

Veja

Nos Momentos Graves use a Calma

A vida pode ser um bom estado de luta, mas o estado de guerra nunca …

A Parentela Corporal e a Parentela Espiritual

Os laços do sangue não criam forçosamente os liames entre os Espíritos. O corpo procede …