sábado , setembro 22 2018
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TERNURA MATERNAL

Domingo é o dia em que muitos espíritas reservam para o evangelho no lar, publicaremos semanalmente seções deste livro para inspirá-los.

14 – TERNURA MATERNAL

As paredes da casa em vão procuro,

Quero dizer adeus e não consigo…

Vejo apenas o vulto amargo e amigo

Da morte que me estende o manto escuro.

Choro a estirar-me, trêmulo, inseguro;

O leito ensaia a pedra do jazido…

Padeço, clamo e indago a sós comigo,

Qual pássaro que tomba contra um muro.

A névoa espessa enreda o corpo langue.

É o terrível crepúsculo de sangue

Que me tinge de sombra os olhos baços;

Mas surge alguém, no caos que me entontece,

É a minha mãe, que alonga as mãos em prece,

Doce estrela brilhando nos meus braços!…

Ave que torna, em chaga, ao brando ninho,

Ouço divina música na sala,

É a sua voz celeste que me embala,

Motes do lar que tornam de mansinho.

Ergo-me agora… O corpo é o pelourinho

De que me desvencilho por beijá-la…

“Mãe! Minha Mãe!,,,” – suspiro, erguendo a fala,

A soluçar de júbilo e carinho

Tomo-lhe os braços em que me acrisolo

E durmo novamente no seu colo

Para acordar no berço de outra vida.

Carlos D. Fernandes

15 – VERDUGO E VÍTIMA

O rio transbordava.

Aqui e ali, na crista espumosa da corrente pesada, boiavam animais mortos os deslizavam

toras e ramarias.

Vazantes em torno davam expansão ao crescente lençol de massa barrenta.

Famílias inteiras abandonavam casebres, sob a chuva, carregando aves espantadiças,

quando não estivessem puxando algum cavalo magro.

Quirino, o jovem barqueiro, que vinte e seis anos de sol no sertão haviam enrijado de todo,

ruminava plano sinistro.

Não longe, em casinhola fortificada, vivia Licurgo, conhecido usurário das redondezas.

Todos o sabiam proprietário de pequena fortuna a que montava guarda, vigilante.

Ninguém, no entanto, poderia avaliar-lhe a extensão, porque, sozinho, envelhecera e,

sozinho, atendia às próprias necessidades.

– “O velho – dizia Quirino de si para consigo – será atingido na certa. É a primeira vez que

surge uma cheia como esta. Agarrado aos próprios haveres, será levado de roldão… E se as

águas devem acabar com tudo, por que não me beneficiar? O homem já passou dos

setenta… Morrerá a qualquer hora. Se não for hoje, será amanhã, depois de amanhã… E o

dinheiro guardado? Não poderia servir para mim, que estou moço e com pleno direito ao

futuro?…”

O aguaceiro caia sempre, na tarde fria.

O rapaz, hesitante, bateu à porta da choupana molhada.

– “Seu” Licurgo! “Seu” Licurgo!

E, ante o rosto assombrado do velhinho que assomara à janela, informou:

– Se o senhor não quer morrer, não demore. Mais um pouco de tempo e as águas chegarão.

Todos os vizinhos já se foram…

– Não, não… – resmungou o proprietário -, moro aqui há muitos anos. Tenho confiança em

Deus e no rio… Não sairei.

– Venho fazer-lhe um favor…

– Agradeço, mas não sairei.

Tomado de criminoso impulso, o barqueiro empurrou a porta mal fechada e avançou sobre o

velho, que procurou em vão reagir.

– Não me mate, assassino!

A voz rouquenha, contudo, silenciou nos dedos robustos do jovem.

Quirino largou para um lado o corpo amolecido, como traste inútil, arrebatou pequeno molho

de chaves do grande cinto e, em seguida, varejou todos os escaninhos…

Gavetas abertas mostravam cédulas mofadas, moedas antigas e diamantes, sobretudo

diamantes.

Enceguecido de ambição, o moço recolhe quanto acha.

A noite chuvosa descera completa…

Quirino toma os despojos da vítima num cobertor e, em minutos breves, o cadáver mergulha

no rio.

Logo após, volta à casa despovoada, recompõe o ambiente e afasta-se, enfim, carregando a

fortuna.

Passado algum tempo, o homicida não vê que uma sombra se lhe esgueira à retaguarda.

É o Espírito de Licurgo, que acompanha o tesouro.

Pressionado pelo remorso, o barqueiro abandona a região e instala-se em grande cidade,

com pequena casa comercial, e casa-se, procurando esquecer o próprio arrependimento,

mas recebe o velho Licurgo, reencarnado, por seu primeiro filho…

Irmão X

Luz No Lar – vários espíritos – Chico Xavier – Editora FEB.
Se você Gostou deste livro e tem condições de adquiri-lo, faça-o pois assim estarás ajudando diversas instituições de caridade.

Originally posted 2013-09-15 18:00:04.

Sobre Jane Lacerda

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