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Fantasmas Aparecem

Sidney Fernandes – 1948@uol.com.br

Bertram Pincus não tinha amigos. Nem fazia questão de tê-los. Sentia aversão às pessoas, preferia a solidão e desprezava todos com quem tinha contato. Ao submeter-se a uma anestesia geral para uma colonoscopia, vivenciou uma EQM — experiência de quase morte — e começou a ver e ouvir os mortos. Fantasmas que vagavam pela Terra detectaram a sua faculdade e passaram a assediá-lo, com o objetivo de obter sua ajuda, para resolver algumas questões que ficaram pendentes no plano físico.

A faculdade mediúnica independe do desenvolvimento moral do médium e não é a ele proporcional.

De uma hora para outra, pessoas que não têm mediunidade ostensiva presenciam aparições espontâneas, mesmo na ausência de médium que poderia produzir essas manifestações.

Se o indivíduo estiver tenso, doente ou nervoso, em face de seus problemas existenciais, poderá passar a perceber o mundo espiritual. Isso também pode ocorrer com pessoas que experimentaram doenças de longo curso ou mesmo quando se aproximam do desencarne.

É claro que espíritos encontram em certos indivíduos facilidade maior para se comunicar. Isso não significa, todavia, que outros não venham a passar por essa experiência, principalmente se considerarmos que todos portamos, em grau mais alto ou mais baixo, o dom da mediunidade.

Por que artistas, escritores ou compositores às vezes não se sentem inspirados para suas produções? É provável que seu habitual inspirador não esteja presente.

A faculdade mediúnica nem sempre é permanente. Muitas vezes ela se apresenta como móbil e fugidia. Há casos, inclusive, de suspensão da mediunidade, ora como prova, ora como proteção promovida pelo espírito protetor do médium que esteja passando por algum momento de fragilidade.

Noreen, médium investigativa, pegou o cinto e o relógio que a vítima de um assassinato usava quando morreu, fechou os olhos, entrou em transe e vivenciou os seus últimos momentos. Quando voltou ao estado de vigília, ela soube descrever o rosto do assassino, o de sua mulher, o local da morte e o esconderijo da arma do crime.

Se bem utilizado, o intercâmbio com os mortos elimina a ideia do nada e fortalece a convicção de que a vida continua e descortina a vida além-túmulo, alentando e amparando os que ainda tateiam no desconhecido. Os mortos que voltam são esclarecidos e podem esclarecer.

O contato com os espíritos tornou o nosso personagem inicial, o egoísta Bertram Pincus, em homem de bem. E não é exatamente a essa conclusão que devemos chegar? Com a mediunidade podemos nos tornar úteis e nos instruir ao mesmo tempo.

No entanto, de que adianta sermos dotados de elevada sensibilidade se isso não nos torna melhores? Que importa acreditar na existência dos espíritos se esse contato não nos torna mais benevolentes, indulgentes e pacientes com o próximo? De que vale sermos médiuns bons se continuamos orgulhosos, invejosos e avarentos?

Acima de tudo devemos entender que, mais importante do que nos tornarmos médiuns bons, será promovermos a renovação interior, continuar lutando para domar nossas más tendências e, finalmente, nos tornarmos pessoas dignas e espiritualizadas.

REFERÊNCIAS: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas e Revista Espírita (1859), Allan Kardec; Estudo sobre a Mediunidade, Sílvio e Clarice Seno Chibeni; Mediunidade –  tudo o que você precisa saber, Richard Simonetti; Superinteressante, Reportagem de Aryane Cararo e Sinopse do filme Ghost Town – um espírito atrás de mim.

Sobre Sidney Fernandes

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Sidney Fernandes (1948@uol.com.br) nasceu em Bauru, em 1948. Gerente do Banco do Brasil e Empresário, hoje está aposentado e se dedica integralmente à veiculação do Espiritismo. Participou ativamente da Mocidade Espírita até integrar-se ao Centro Espírita Amor e Caridade de Bauru (SP). Escritor e orador profere palestras em várias cidades brasileiras. Veja página deste Autor

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