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Existe Bala Perdida?

É preciso estar atento e forte

(Divino, Maravilhoso – composição de Caetano Veloso)

Acabei de assistir a um vídeo no Youtube onde um renomado orador espírita afirma categoricamente que não existe bala perdida; que se uma pessoa é atingida e morre é porque já estava planejada espiritualmente sua desencarnação.

Aí resolvi discordar e escrevo, categoricamente: sim, existe bala perdida, como existem acidentes de toda espécie que não foram previstos no espaço, antes da reencarnação.

O Universo (não só a Terra) é governado por Leis perfeitas que deverão, a seu tempo, ser reveladas ao homem. Cabe às Ciências humana e espiritual esse papel.

Entretanto, não podemos esquecer de um fato simples: as leis físicas (da matéria) são também Lei de Deus.

Muitos pensam que tudo acontece segundo a vontade de Deus; que não cai uma folha sem sua permissão.

Vamos interpretar isso?

Existe, sim, uma Lei única e imutável, absoluta, que rege o Universo. Ela é responsável pela harmonia e equilíbrio de tudo. No entanto, Deus nos concedeu o livre-arbítrio, o que possibilita agirmos conforme a nossa vontade para nosso bem ou para o mal.

Toda ação é livre, mas as consequências, não.

Somos livres para escolher, entretanto o resultado de nossas ações determinam o tipo de destino que vamos ter.

Quando nos desviamos da grande Lei haverá consequências tendentes a nos colocar novamente nos eixos, no fluxo de Sua condução harmoniosa, que nos levará à correção dos equívocos cometidos e retorno ao equilíbrio.

Se não fosse assim, o caos total destruiria a criação.

Mas não existe destino? E o planejamento espiritual?

Se você considerá-lo como consequência dos atos anteriores, existe. Mesmo assim não é nada de absoluto.

Não devemos ver o destino como algo programado e determinado, irremediável, que não pode sofrer qualquer tipo de alteração.

Podemos alterar a todo instante o curso de nossa história com novas ações e decisões: podemos mudar de cidade e de país, casar ou ficar sozinho, separar do cônjuge, pedir demissão do emprego e buscar outro, trocar de religião etc.

Tudo isso poderá mudar se você quiser, mesmo que tenha planejado diferente no mundo espiritual. Afinal, você tem livre-arbítrio lá e aqui.

Quem constrói o nosso destino, portanto, somos nós mesmos nos dois lados dos planos.

Mas e a bala perdida, as mortes violentas, os assassinatos, os terremotos, a violência em geral que, apesar de todos os cuidados que possamos ter para evitar, nos alcançam com tanta frequência?

Aqui a análise se desdobra, mas sem contrariar em nada a Lei Universal.

Explicamos: depende das circunstâncias e dos fatos que foram determinantes para a ocorrência desses desastres e mortes.

Vivemos num mundo de matéria muito grosseira onde qualquer acidente ou doença poderá levar à morte. Conclusivamente, a vida aqui na Terra, por si só, já é uma expiação para os Espíritos (questão 132 de O Livro dos Espíritos).

Dessa forma, ainda que formos prudentes e atentos, muitas ocorrências desastrosas podem nos alcançar pois habitamos a Terra, mundo ainda inferior – sujeitos, portanto, às suas produções materiais e espirituais condizentes com o nosso nível de evolução – que é, sem sombra de dúvida, muito inferior.

Se estivermos mergulhados numa panela de pressão, estaremos, inevitavelmente, sujeitos à pressão e temperatura da panela, mesmo que sejamos muito superiores espiritualmente. Vide Jesus, que apesar de sua elevação, sofreu as agruras de estar mergulhado na carne.

Estamos reencarnados num planeta de provas e expiações e ninguém foge disso.

Pois bem, uma bala perdida atinge fatalmente uma criança que está passeando de bicicleta, despreocupadamente.

Isso é fatalidade?

Temos que considerar que poderá sim ser algo programado, mas não podemos asseverar categoricamente que foi algo que teria que acontecer inevitavelmente, até porque Deus não precisa de nós e do mal por nós produzido para exercer Sua justiça: a criança poderia morrer – caso estivesse programado – por uma ocorrência natural, como doença ou acidente não provocado.

Definitivamente o acaso não existe. Existe uma Lei que permeia e comanda o mundo físico e espiritual.

O grande equívoco que vimos muitos espíritas cometerem é o de sempre atribuírem ao acaso uma origem divina. Não, não.

A bala atingiu a criança por uma causa puramente física, não por uma causa espiritual. Depois que a bala foi disparada ela segue a trajetória física que tem que seguir. Nenhum espírito poderia alterar sua trajetória, seu caminho.

No entanto, a criança que está por lá passando poderá ter sido intuída para estar naquele lugar, caso tivesse que desencarnar precocemente (não necessariamente por uma bala de revólver).

Vejamos o que dizem os Espíritos:

Questão 527 : Um homem TEM que morrer fulminado pelo raio. Refugia-se debaixo de uma árvore. Estala o raio e o mata. Poderá dar-se tenham sido os Espíritos que provocaram a produção do raio e que o dirigiram para o homem?

Resposta: ”O raio caiu sobre aquela árvore em tal momento, porque estava nas leis da Natureza que assim acontecesse. Não foi encaminhado para a árvore, por se achar debaixo dela o homem. A este, sim, foi inspirada a ideia de se abrigar debaixo de uma árvore sobre a qual cairia o raio, porquanto a árvore não deixaria de ser atingida, só por não lhe estar debaixo da fronde o homem.”

Questão 528: No caso de uma pessoa mal-intencionada disparar sobre outra um projetil que apenas lhe passe perto sem a atingir, poderá ter sucedido que um Espírito bondoso haja desviado o projetil?

Resposta: “Se o indivíduo alvejado NÃO tem que perecer desse modo, o Espírito bondoso lhe inspirará a ideia de se desviar, ou então poderá ofuscar o que empunha a arma, de sorte a fazê-lo apontar mal, porquanto, uma vez disparada a arma, o projetil segue a linha que tem de percorrer.”

Destacamos: “uma vez disparada a arma, o projetil segue a linha que tem de percorrer.”

Está claro, portanto, que a ação dos espíritos não é na matéria ou nas leis físicas (que são imutáveis, pois têm origem Divina), mas no mundo moral do autor do tiro e da possível vítima.

Mas o que aconteceria se os bons espíritos não conseguissem influenciar a vítima para se esquivar da bala e/ou perturbar a visão do assassino em frações de microssegundos?

Resposta: “uma vez disparada a arma, o projetil segue a linha que tem de percorrer”. Isto é, a pessoa seria ferida ou morta, mesmo não havendo previsão espiritual dessa ocorrência.

Nem todo acidente fatal é carma, resgate de vidas passadas, expiação, como quiser designar. Pode ser provação.

E o que acontece com o espírito da vítima?

Reprograma sua jornada evolutiva, pois o progresso é Lei Universal.

Fernando Rossit

Sobre Fernando Rossit

Fernando Rossit é funcionário público e reside em São José do Rio Preto. Espírita desde 1978, atua em várias tarefas nas casas espíritas "Associação Espírita Allan Kardec" e "Centro Espírita Irmão Gerônimo".

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