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Esterilidade do Coração

Sidney Fernandes

Autossacrifício e Isolamento

Herdamos da Idade Média a ideia de que o pecado seria superado por intermédio do sofrimento. Com isso, proliferaram várias fórmulas de autossacrifício físico. Uma das maneiras de autossacrifício é o insulamento, como forma de fuga do contato com o mundo ou de autoimposição penosa.

Está surgindo, nos tempos atuais, um novo tipo isolamento: o do homem comum, que não se mistura com a sociedade, cuida da própria subsistência e dos familiares. Estamos diante do eremita urbano, que é religioso por convenção social, não praticante, isola-se em sua casa, indiferente aos problemas do mundo, importando-se somente com sua vida e deixando que o resto se lasque.

Alerta Anthony Robbins, coach e um dos maiores influenciadores do atual mundo dos negócios, que devemos cuidar da força espiritual, meditar todos os dias e evoluir mentalmente, e que, no entanto, se nos afastarmos do relacionamento com a sociedade, em nada teremos evoluído.

Muitas pessoas — continua Tony — acham-se confortáveis, bem resolvidas e se dizem realizadas porque ostentam o crachá de bom religioso por convenção social, porque dão alguma contribuição para alguma entidade filantrópica, porque praticam ioga, porque são vegetarianos ou porque meditam.

— Meditar torna-se hábito, frequentar casas espirituais também, ser generoso dentro dos templos é mais fácil ainda. O difícil é trazer tudo isso para o dia a dia, nas relações, porque é aí que mostramos mesmo quem somos. Não basta meditar todo dia e se aborrecer com a companheira, com os filhos ou com os pais. Não basta espiritualizar-se, fazer caridade e tratar mal o porteiro, o garçom e o caixa do supermercado.

As palavras desse moderno e influente orador e escritor influenciam multidões com expressões bem próximas às máximas do Cristo, que nos recomendam que cuidemos do próximo, afastemo-nos de nossas zonas de conforto e façamos a ele o que gostaríamos que nos fizessem.

Diz Emmanuel que os eremitas urbanos que se encastelaram egoisticamente em suas zonas de conforto, despreocupados com as pessoas carentes que o cercavam e desvirtuados de sua fé religiosa, e se anularam no isolamento improdutivo, constatarão, ao término da jornada terrestre, que apenas cultivaram a esterilidade do coração.

Encontraram a almejada felicidade? Sim, mas de forma superficial e efêmera. Países adiantados tecnológica e socialmente, cujo comportamento usual patrocina o egocentrismo, não por acaso ostentam altos índices de depressão e suicídio.

A felicidade, ainda que relativa, aqui na Terra, só será alcançada quando conquistarmos o seu tempero mais importante: a paz. E o método infalível para obtê-la está na participação de movimentos de solidariedade em favor do bem comum.

As casas religiosas, dedicadas à filantropia e à caridade, em seus mais variados ângulos, representam o fórum ideal para dar a resposta precisa para qualquer um que almeje a paz, que o levará à felicidade.

Liberte o próprio coração, destruindo as barreiras de conhecimento e fé, título e tradição, vestimenta e classe social, existentes entre você e as criaturas e a felicidade, que você fizer para os outros, será luz da felicidade sempre maior, brilhando em seu caminho.

André Luiz

 

Referências: Documentário “Eu não sou seu guru”, de Tony Robbins; Por uma vida melhor, de Richard Simonetti; O Livro da Esperança, de Emmanuel; O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec e Apostilas da Vida, de André Luiz.

Sobre Sidney Fernandes

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Sidney Fernandes (1948@uol.com.br) nasceu em Bauru, em 1948. Gerente do Banco do Brasil e Empresário, hoje está aposentado e se dedica integralmente à veiculação do Espiritismo. Participou ativamente da Mocidade Espírita até integrar-se ao Centro Espírita Amor e Caridade de Bauru (SP). Escritor e orador profere palestras em várias cidades brasileiras. Veja página deste Autor

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