Home / Espiritismo / Colunas / Esquecimento do passado e consciência

Esquecimento do passado e consciência

Há milênios o Homem tem consciência da responsabilidade de seus atos, e das conseqüências a que se vincula, quando os pratica, seja para o bem ou para o mal.

Até mesmo popularmente, em nosso cotidiano, escutamos alguém dizer: “o que será que fiz na outra vida para passar por isso?”

Temos ouvido isso mesmo dos não espíritas.

Allan Kardec analisa em O livro dos Espíritos a questão do esquecimento e da obrigatoriedade da corrigenda, quando de prejuízos causados, a si mesmo e ao próximo.

Apresentamos abaixo pequenos comentários à questão de número trezentos e noventa e três do livro citado, para nossas reflexões.

“Como o homem pode ser responsável por atos e reparar faltas das quais não tem consciência? Como pode aproveitar a experiência adquirida em existências caídas no esquecimento? Poderia se conceber que as adversidades da vida fossem para ele uma lição ao se lembrar do que as originou; mas, a partir do momento que não se lembra, cada existência é para ele como a primeira e está, assim, sempre recomeçando. Como conciliar isso com a justiça de Deus?”

Respondem os Benfeitores: “A cada nova existência o homem tem mais inteligência e pode melhor distinguir o bem do mal. Onde estaria o mérito, ao se lembrar de todo o passado? Quando o Espírito volta à sua vida primitiva (a vida espírita), toda sua vida passada se desenrola diante dele; vê as faltas que cometeu e que são a causa de seu sofrimento e o que poderia impedi-lo de cometê-las.

Ao abordar a inteligência do espírito, desenvolvida a cada existência, a Lei de Progresso se faz presente, ficando embutida a necessidade de agirmos por discernimento moral, e não por conhecimento de causa.

Continua a resposta: “Compreende que a posição que lhe foi dada foi justa e procura então uma nova existência em que poderia reparar aquela que acabou.”

Neste trecho apreendemos que se a vida que lhe foi dada foi justa, e o próprio espírito se conscientiza disso, significa que há um planejamento, e este é  pessoal, e a bondade divina se faz presente dando-lhe nova oportunidade de continuar seu desenvolvimento espiritual através de outra encarnação e ele  “Escolhe provas parecidas com as que passou ou as lutas que acredita serem úteis para o seu adiantamento, e pede a Espíritos Superiores para ajudá-lo nessa nova tarefa que empreende, porque sabe que o Espírito que lhe será dado por guia nessa nova existência procurará fazê-lo reparar suas faltas, dando-lhe uma espécie de intuição das que cometeu.”

A figura do “anjo da guarda”, tão presente na cultura religiosa da humanidade, é confirmada pelos Benfeitores, demonstrando a participação ativa na vida do espírito, “soprando” conselhos ao seu protegido, mas ficando este livre para seguir ou não o conselho dado.

E finalizam a resposta: “Essa mesma intuição é o pensamento, o desejo maldoso que freqüentemente vos aparece e ao qual resistis instintivamente, atribuindo a maior parte das vezes essa resistência aos princípios recebidos de vossos pais, enquanto é a voz da consciência que vos fala. Essa voz é a lembrança do passado, que vos adverte para não recair nas faltas que já cometestes. O Espírito, ao entrar nessa nova existência, se suporta essas provas com coragem e resiste, eleva-se e sobe na hierarquia dos Espíritos, quando volta para o meio deles.”

Ao reencarnar o espírito traz suas tendências e viciações, que se farão presentes nas provas escolhidas, para corrigir-se através de um novo condicionamento, então fundamentado no conhecimento moral, que a inteligência ajuda a desenvolver, aliviando-lhe a consciência, sede da Lei de Deus, permitindo-lhe sentimento de paz interior e felicidade.

Educador por excelência, Allan Kardec comenta a resposta dada pelos espíritos que formam a equipe do Consolador prometido por Jesus: “Se não temos, durante a vida corporal, uma lembrança precisa do que fomos e do que fizemos de bem ou mal em existências anteriores, temos a intuição disso, e nossas tendências instintivas são uma lembrança do nosso passado, às quais nossa consciência, que é o desejo que concebemos de não mais cometer as mesmas faltas, nos adverte para resistir.”

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro

Nota do editor:
Imagem em destaque disponível em <http://vilaclub.vilamulher.com.br/blog/outros/enquete-voce-acredita-em-vidas-passadas–9-6193213-306194-pfi-ideiasdemulher.html>. Acesso em: 28ABR2015.

 

Sobre Antonio Carlos Navarro

Avatar
Espírita de São José do Rio Preto - SPFrequentador e Dirigente do Centro Espírita Francisco Cândido Xavier em São José do Rio Preto, SP. Estudioso, palestrante e editor de inúmeros textos e conteúdo EspíritaGênero de livros Espírita que prefere: Mediunidade, DoutrinárioIniciou seus primeiros contatos com a Doutrina Espirita: 1986

Veja

Um Leão por Dia

Conta-se que um experiente caçador se encontrava em caça, quando uma situação inusitada se deu. …

Freud, sexo, importância individual e imediatismo

Ao estudarmos o livro No Mundo Maior, ditado pelo Espírito André Luiz, psicografia de Francisco …