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Esquecimento do Passado

Esquecido de seu passado o Espírito é mais senhor de si.

“O passado é a causa viva, mas não soluciona o presente.”

– Emmanuel

Quando Jesus (1) nos conclama a amar aos inimigos, bendizer aos que nos maldizem, fazer o bem aos que nos odeiam e orar pelos que nos maltratam e perseguem, é porque se faz necessário desatar todos os nós que nos prendem aos equívocos passados.

A necessidade do perdão e os trâmites evolutivos são dois fatos emergentes de imediato quando se trata do esquecimento do passado.

Se Deus achou por bem ocultar de todos nós o passado em cada experiência reencarnatória, de nossa parte, devemos envidar os esforços necessários para esquecer os prejuízos e males mais recentes da presente reencarnação, isto é, ministrar o perdão incondicional, como Jesus o fez e ensinou, a fim de livrar nossa economia espiritual do lixo cármico.

Escrevendo aos romanos, Paulo de Tarso concita-nos a tratar com caridade aos nossos inimigos, “porque fazendo isto, amontoaremos brasas de fogo sobre a cabeça deles.” Nada mais certo e lógico, pois os nossos inimigos, observando nossa atitude cristã e positiva no sentido de acertar os desentendimentos, ficarão propensos a não mais oferecer nutrição às situações de beligerância.

Já nossa evolução ficará bem solucionada condicionando-a ao esquecimento do passado de forma a aplicarmos nossas energias e potencialidades na direção certa, sem os prejuízos dos liames que nos agrilhoariam às nossas seculares defecções, libertando-nos assim, para nossas missões que têm como denominador comum a aplicação da legítima caridade que não só ensinaremos mas que principalmente praticaremos.

Mateus registra em suas anotações, (Mt., 10:26.) que “nada há encoberto que não haja de revelar-se, nem oculto que não haja de saber-se.” Assim, no momento azado, quando a maturidade chegar, haveremos de saber o que hoje ainda é conveniente que permaneça oculto. O próprio Cristo nos dá notícia de que existem coisas que necessitam aguardar o concurso do tempo e da ocasião propícia para que possamos entendê-las. Ao Seu tempo dizia: “Tenho ainda muitas coisas para vos dizer, mas por hora não as suportaríeis”.

O passado, portando, não deve ser causa de maiores preocupações. Isso não nos desobriga a fazer um exame minucioso de nossas atuais tendências mais íntimas, vez que elas nos mostram as próprias leiras de serviço, isto é, onde devemos trabalhar em nossa própria intimidade para vencer os remanescentes de uma sementeira passada irresponsável e descuidada.

Enquanto encarnado, João Batista desconhecia que ele próprio era a reencarnação de Elias. Quando lhe perguntaram (2): “Quem és? És Elias?”

Ele respondeu: “não.” Vemos, assim que até mesmo aos grandes missionários o passado não é revelado. Seu esquecimento é algo mais abrangente do que podemos imaginar e transcende o plano material. Os Benfeitores da humanidade disseram (3) a Allan Kardec que “(…) muitas vezes um Espírito recém desencarnado não se lembra de nomes de pessoas que lhe eram caras, nem uma porção de coisas importantes. É que tudo isso, pouco lhe importando, logo caiu em esquecimento. Ele só se recorda perfeitamente bem dos fatos principais que concorrem para a sua melhoria.”

O Mestre Lionês aborda o tema a partir da questão de número 392 de “O Livro dos Espíritos” de onde extratamos alguns itens para oportunas elucidações: “não pode o homem, nem deve, saber tudo. Deus assim o quer em Sua sabedoria. Sem o véu que lhe oculta certas coisas, ficaria ofuscado, como quem, sem transição, saísse do escuro para o claro. Esquecido de seu passado ele é mais senhor de si.“(…) Gravíssimos inconvenientes teria o nos lembrarmos das nossas individualidades anteriores. Em certos casos, humilhar-nos-ia sobremaneira; em outros nos exaltaria o orgulho, peando-nos, em consequência, o livre-arbítrio. Para nos melhorarmos, dá-nos Deus exatamente o que nos é necessário e basta: a voz da consciência e os pendores instintivos. Priva-nos do que nos prejudicaria. Acrescentemos que, se nos recordássemos dos nossos precedentes atos pessoais, igualmente nos recordaríamos dos outros homens, do que resultariam talvez os mais desastrosos efeitos para as relações sociais. Nem sempre podendo honrar-nos do nosso passado, melhor é que sobre ele um véu seja lançado.”

Por outro lado, muitas criaturas que contestam a reencarnação perguntam: “como posso pagar por uma coisa da qual não tenho a mais vaga lembrança?” Evidentemente esta pergunta é até compreensível para quem ainda não estudou a Doutrina dos Espíritos, havendo portando dificuldade em compreender e aceitar algo cujo fundamento permanece desconhecido. A solução é oferecer a tais criaturas um caminho de acesso a essas informações, chamando-lhes a atenção para o fato insofismável de que Deus é justo e bom e impossível seria conciliar Sua justiça e bondade com os desníveis sociais que vemos à nossa volta. A unicidade da existência jamais poderá explicá-los. Por que sorte tão diversa na vida de Seus filhos? Por que uns nascem em berço de ouro e outros nas mansardas infectas? Por que uns são inteligentes e outros apoucados? Só a reencarnação pode conciliar e justificar situações tão antagônicas e aparentemente injustas.

Segundo Allan Kardec (4), o esquecimento do passado não constitui obstáculo a que se possa aproveitar da experiência de vidas anteriores. Havendo Deus entendido de lançar um véu sobre o passado, é que há nisso vantagem. Sabemos que a evolução se processa de baixo para cima, isto é, o “Espírito nasce simples e ignorante” e caminha na direção da perfeição relativa. Assim, para que rebuscar no passado os fatos que devem presentemente ficar esquecidos?!

Segundo Emmanuel, “(…) é no corpo que dispomos daquele bendito anestésico do esquecimento temporário com que a cirurgia da vida, nos hospitais do tempo, nos suprime as chagas morais instaladas por nós mesmos, no campo íntimo; nele reencontramos os desafetos de passadas reencarnações, nas teias da consanguinidade ou nas obrigações de grupo de serviço para a quitação necessária de nossos débitos, perante a lei que nos governa os destinos.”

Quão salutar e providencial é o esquecimento do passado que nos enseja a possibilidade de resgatar, sem humilhação, os débitos junto daqueles que prejudicamos ou nos prejudicaram!… No passado que se perde na noite dos tempos, está a causa de grande parte dos sofrimentos humanos e o fulcro da questão está no fato de sempre termos fracassado na administração do perdão incondicional. Estamos sempre nos lugares certos e com as pessoas certas. Cabe-nos aceitar e procurar compreender o que devemos fazer para aproveitar ainda nesta oportunidade reencarnatória o ensejo abençoado da reconciliação com os adversários d`antanho.

Esqueçamos o que passou; não nos assentemos na esquina do remorso e tampouco nos enveredemos em meio aos cipoais da amargura. Sigamos em frente, de olhos postos no futuro feliz que nos aguarda a todos, construindo esse porvir ditoso desde já sob as bênçãos de Jesus.

Rogério Coelho

Referências:

(1) Mateus, 5:44;

(2) João, 1:21;

(3) KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 88.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2006, q. 307; e

(4) KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. 129.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2009, cap. V, item 11.

Fonte: Agenda Espírita Brasil

Sobre Fernando Rossit

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Fernando Rossit é funcionário público e reside em São José do Rio Preto. Espírita desde 1978, atua em várias tarefas nas casas espíritas "Associação Espírita Allan Kardec" e "Centro Espírita Irmão Gerônimo".

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