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Então, chega para lá

Certa feita há muitos anos, conversávamos com uma das grandes figuras femininas do movimento espírita da cidade de São José do Rio Preto, sobre o tema mediunidade. Ela contava com expressiva experiência mediúnica e ajudava-nos, por conta de nossa inexperiência, a entender o mecanismo espiritual.

Na oportunidade, ela nos falava das particularidades dos dons mediúnicos, da naturalidade com que devemos tratá-los, estudando, constante e disciplinadamente, a Codificação e as obras subsidiárias para melhor aproveitamento próprio, ao mesmo tempo em que devemos analisar as experiências mediúnicas pessoais para a devida apreensão das lições implícitas nas ocorrências ostensivas.

Como exemplo contou-nos um fato por ela experimentado.

Depois de mais um dia de atividades múltiplas, incluindo o trabalho assistencial espírita, preparou-se para o sono noturno, seguindo a rotina costumeira visando deitar-se em seu leito de dormir, e qual não foi sua surpresa, ao deparar-se com um espírito com aparência masculina desencarnado e acomodado em sua cama, também preparado para o sono.

A experiência com a vidência já lhe havia ensinado muito, incluindo aí a tranquilidade em lidar com o fato, e então se seguiu um diálogo mais ou menos nos seguintes termos:

– Meu amigo, disse ela ao espírito, este quarto é particular e eu lhe peço o favor de deixá-lo para que eu possa me recolher.

– Estou cansado, e também quero dormir, e não vou sair daqui não, disse ele.

– Olha meu amigo, entendo sua condição, mas isso é uma invasão de privacidade e eu tenho o direito ao meu quarto e a minha cama.

– Não vou sair, já disse, retrucou o espírito.

Conformada com a situação, disse ela tranquilamente ao espírito visitante:

– Bem, se não tem outro jeito, então, chega para lá, que também estou cansada e com sono, e quero me deitar.

A experiência nos fez pensar no tipo de comportamento que se tem em relação aos espíritos. Alguns há que desejam nunca vê-los, e outros que ao vê-los se desequilibram ou se desesperam, levando à conta do sobrenatural, e não se tira lições positivas do fato.

Desde que atingimos a consciência espiritual, há milênios, os espíritos têm mantido relações com os encarnados, tanto os bem quanto os mal intencionados, e essas experiências podem ser de muito bom proveito tanto para encarnados e desencarnados.

A Doutrina Espírita, quando bem estudada, dá-nos condições para o equilíbrio mediúnico, incluindo aí as muitas situações do dia a dia em que não vemos os espíritos, mas nem por isso estamos livres do seu assédio e influência pelo mecanismo do pensamento, e compete a nós a responsabilidade de seguirmos a orientação do Senhor Jesus contida na assertiva “Vigiai e orai” (1).

Bem, para aquela grande trabalhadora, o fato foi levado à conta de mais uma provação relativa aos seus dons mediúnicos, e ela não perdeu a oportunidade de manter o equilíbrio e a integridade cristã conquistada ao longo de sua vida.

E nós, como nos comportaríamos diante do mesmo fato?

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro

Referências Bibliográficas:
(1) Mateus 26:41

Nota do editor:
Imagem em destaque disponível em <http://dtudo1pouco.com/nao-arrumar-cama-logo-que-acordar-e-bom-segundo-cientistas/>. Acesso em: 23JUN2015.

Originally posted 2015-06-23 21:47:41.

Sobre Antonio Carlos Navarro

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Espírita de São José do Rio Preto - SPFrequentador e Dirigente do Centro Espírita Francisco Cândido Xavier em São José do Rio Preto, SP. Estudioso, palestrante e editor de inúmeros textos e conteúdo EspíritaGênero de livros Espírita que prefere: Mediunidade, DoutrinárioIniciou seus primeiros contatos com a Doutrina Espirita: 1986

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