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É Admissível o Aborto em caso de Estupro?

Essa pergunta foi feita por uma estudante de medicina ao acompanhar o parto de um bebê gerado em decorrência de um estupro. Naturalmente, ela queria saber sobre a posição da Doutrina Espírita a respeito do assunto.

Já escrevemos sobre o estupro em outro artigo intitulado “O Estupro é Programado pela Espiritualidade?”, onde concluímos que a Espiritualidade, assim entendida a que se refere aos espíritos esclarecidos e adiantados do espaço, jamais programaria para o curso de uma existência física esse tipo de crime ou qualquer outro. Ninguém renasce para ser assassino, estuprador, suicida etc.

Deus não pune criatura alguma, considerando que Ele é a mais absoluta expressão do Amor.

O mal é criação humana e não de Deus. Sendo assim, alcança seus autores irremediavelmente: o mal gera o mal para quem o pratica.

A estudante de medicina acrescenta outra pergunta:

– queria saber algo sobre a situação do espírito reencarnante.

Vamos ver, então, algumas possibilidades (muito longe de pretender esgotar o assunto):

Pode acontecer de o espírito reencarnante ser inimigo de outra vida da mulher violentada e ser o “autor intelectual” da ocorrência. Por exemplo: supondo que a vítima sai a pé à noite de retorno do trabalho e que atravessa áreas isoladas e afastadas do movimento normal da via pública, o espírito poderá agir de forma a intuir um criminoso a encontrá-la e praticar o ato. É possível, nesse caso, de o Espírito vingativo ser atraído magneticamente para a reencarnação compulsória, sem mesmo ter consciência disso.

Soubemos de um caso que o Espírito vingativo, que já havia sofrido muito nas mãos de uma jovem em existência pregressa, “estimulou-a” a experiências sexuais com o namorado com o intuito de “fazê-la” engravidar, convicto de que ela faria o aborto quando ficasse ciente da gravidez inesperada. Desse modo, após esse ato, a jovem estaria mais acessível a sua injunção obsessiva pelo crime praticado. Mas, felizmente, a moça foi devidamente orientada na casa espírita e o espírito, antigo verdugo, é-lhe hoje o filho muito amado. De um mal aparente, o bem triunfou.

Uma outra possibilidade: Poderá ser uma expiação para a futura mãe que em outras existências praticou vários abortos, por exemplo (apenas para citar uma possibilidade). Antes da presente reeencarnação, no mundo espiritual, pôde a mulher ver com clareza a gravidade dos seus crimes, implorando ao Bom Deus a oportunidade de ser novamente testada na sua resistência moral com gravidez em situação bastante adversa – que é o caso do estupro.

Vejamos o que diz o conhecido médium e orador espírita Divaldo P. Franco:

“Embora lamentável e dolorosa a circunstância traumática da ocorrência, é dever da jovem e dos seus familiares manterem a gravidez, auxiliando o Espírito que se reencarna em situação aflitiva e angustiante. Compreende-se a dor da vítima e dos seus familiares, no entanto, não se tem o direito de matar o ser reencarnante que necessita do retorno naquela maneira, a fim de crescer para Deus. Não raro, esses seres que renascem nessa conjuntura tornam-se amorosos e profundamente agradecidos àqueles que lhe propiciaram o recomeço terrestre: a mãe e os familiares”.

Dr. Jorge Andréa (Encontro com a Cultura Espírita, págs. 91 a 95),  afirma que:

“nenhum Espírito chegará ao processo reencarnatório sem uma atração específica com sua futura mãe. O  mergulho na reencarnação – diz ele – só se dará quando a sintonia entre mãe e futuro filho estiver praticamente indissolúvel. Qualquer que seja a qualidade do reencarnante, haverá sempre com a mãe correlação de causas, onde ambos lucrarão sempre, no sentido evolutivo, quer os mecanismos se exteriorizem nas faixas do amor ou do ódio. O Espírito reencarnante, com o seu campo específico de energias, fará a seleção do espermatozoide pelas contingências de suas irradiações, adquirindo e construindo o futuro corpo de acordo com as suas necessidades.”

Verificamos, então, que o espírito reencarnante além de grande devedor que vem para resgate difícil (iniciando sua prova já na gestação), é também ligado espiritualmente à mulher, vítima atual da violência sexual.

Conquanto seja uma situação extremamente adversa e traumática, a prova somente será vencida, proporcionando um extraordinário crédito espiritual à futura mãe, se houver aceitação da gestação, o que implicará em receber o bebê com amor.

Caso a mãe não consiga ou não queira ficar com o bebê por questões emocionais, psicológicas, familiares ou financeiras, existem milhares de casais ávidos por uma adoção e que receberá a criança com o amor que todos nós merecemos.

De acordo com a questão 359 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, apenas numa única situação o aborto é admissível: Quando a criança em gestação põe em perigo a vida da mãe, é preferível que se sacrifique a vida do nascituro.

Fernando Rossit

Fontes de apoio:

-Entrevista concedida por Divaldo Franco pode ser vista na íntegra clicando-se neste link: http://www.oconsolador.com.br/51/entrevista.html

-Astolfo de Oliveira Filho -aoofilho@oconsolador.com.br – Londrina, Paraná (Brasil)

Sobre Fernando Rossit

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Fernando Rossit é funcionário público e reside em São José do Rio Preto. Espírita desde 1978, atua em várias tarefas nas casas espíritas "Associação Espírita Allan Kardec" e "Centro Espírita Irmão Gerônimo".

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