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Coach ou Cristão?

Sidney Fernandes – 1948@uol.com.br

Você é branco, negro ou cinza?

Esta pergunta foi formulada para os executivos participantes de um congresso. O conferencista queria saber se os congressistas, em tudo o que faziam, consideravam-se os melhores.

Como se esperava, predominaram as respostas em que cada um, anonimamente, considerava-se, dentre todos os seus pares o mais empático, o mais formidável, o mais competente e muitos outros “mais”.

O orador discorreu longamente sobre a psique, o desenvolvimento de suas funções e o triste destino daqueles que se conformam com a mediocridade.

— Ninguém poderá se conformar em ser branco, nem poderá se arvorar em já ser preto. Todos somos cinzas! — afirmou, peremptório.

A plateia entendeu a feliz metáfora, principalmente quando ele continuou afirmando que ninguém poderia ser considerado gênio, pois todos somos seres em formação.

— A genialidade existe em todos nós potencialmente — continuou. Não nascemos pretos, ainda somos cinzas, e nos transformaremos em gênios, se soubermos converter as obscuras funções potenciais que todos portamos em luzes de qualidades e de habilidades.

— A hipocrisia, a prepotência e a presunção, assim como a raiva, a intolerância e a aversão, são vícios que impedem os grandes saltos em direção ao sucesso. O medíocre de hoje poderá transformar-se no sábio de amanhã. Isso somente acontecerá, no entanto, se cada indivíduo, cônscio de suas potencialidades, transformar-se e transformar pessoas que compartilharem de sua convivência.

***

Se bem observarmos, o coach pode utilizar ferramentas de PNL (programação neolinguística) para gerar mudanças de comportamento no indivíduo, com pontos similares a alguns dos princípios da Doutrina Espírita.

Senão vejamos:

EGOÍSMO

A primeira semelhança que se destaca é a relacionada com o egocentrismo. Atitudes e comportamentos voltados excessivamente para nós mesmos denotam insensibilidade. Tanto a Doutrina Espírita como muitas outras filosofias religiosas, cristãs ou não, repudiam o egoísmo humano.

PROGRESSO COMUM

Outro aspecto coincidente que se pode notar é o princípio da evolução. Ensina a Doutrina Espírita que tudo se deve fazer para chegar à perfeição e o próprio homem é um instrumento de que Deus se serve para atingir seus fins.

Nosso hipotético trainer em neurolinguística considera como condição sine qua non, para o desenvolvimento da pessoa humana, a sua disposição de transformar-se e transformar pessoas que compartilharem de sua convivência.

VÍCIOS

— A hipocrisia, a prepotência e a presunção, assim como a raiva, a intolerância e a aversão, são vícios que impedem os grandes saltos em direção ao sucesso, afirmou o expositor ao grupo de executivos.

Alerta a Doutrina Espírita que muitos de nós mostramo-nos propensos a vícios geradores de paixões degradantes, como crueldade, deslealdade, hipocrisia e desenfreada ambição.

Da mesma forma que essas falhas de caráter podem obstar a evolução do executivo, a definitiva evolução, a do espírito, jamais será alcançada sem que as vençamos

Essa é a transformação esperada de quem aspira a vencer na vida material como do espírito que queira se transformar em verdadeiro cristão.

SOLIDARIEDADE

Já insistimos que:

Cada indivíduo deve transformar-se e transformar as pessoas que compartilhem de sua convivência.

Está implícito, nas recomendações do coach pessoal que se propõe a potencializar as habilidades de seu público-alvo a novas conquistas, o princípio da solidariedade.

A Doutrina Espírita não faz recomendação diferente. Ela nos relembra de que tudo é solidário na natureza. Assim procedendo, o homem perceberá que, por meio de suas atitudes no presente, preparará um novo futuro.

O verdadeiro cidadão também é um verdadeiro cristão, que cuida do bem comum.

PRECISAMOS UNS DOS OUTROS

Nenhum homem é uma ilha, disse Teilhard de Chardin, atentando para o fato de o homem ser eminentemente social, como teria afirmado Aristóteles, outro notável filósofo, constatando que as atitudes de um indivíduo afetam a vida dos seus pares sociais.

Assim como no mundo dos negócios há necessidade de parcerias, a evolução do espírito pressupõe que o insulamento caminha contra o progresso, na mesma proporção em que da cooperação resultam o bem comum e o crescimento individual.

NÃO ÉS BOM, NEM MAU: ÉS TRISTE E HUMANO…

Aproximamo-nos vertiginosamente do momento em que as regras do bom negócio serão as mesmas do homem de bem.

Ninguém é totalmente branco, nem totalmente negro.

Não és bom, nem és mau: és triste e humano… Residem juntamente no teu peito um demônio que ruge e um deus que chora, diria Olavo Bilac em Poesias.

Ainda não somos completamente bons, mas já deixamos de ser extremamente maus.

Somos cinzas, isto é, estamos todos em evolução, dentro de um mesmo barco chamado Planeta Terra.

***

Fiquemos com Emmanuel, nos ensinando que, assim como na época de Jesus surgiram os obstáculos do farisaísmo, do templo, do sinédrio, do pretório e da corte de César, os desafios de hoje aí estão, embora possuam outros nomes.

Da mesma forma, no entanto, que todos esses óbices foram vencidos, os homens de hoje estão sendo convidados à mesma compreensão geral proposta pelo Cristo, em benefício de uma renovada humanidade, que caminhará celeremente pelos caminhos do Senhor em busca da sociedade ideal.

Sobre Sidney Fernandes

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Sidney Fernandes (1948@uol.com.br) nasceu em Bauru, em 1948. Gerente do Banco do Brasil e Empresário, hoje está aposentado e se dedica integralmente à veiculação do Espiritismo. Participou ativamente da Mocidade Espírita até integrar-se ao Centro Espírita Amor e Caridade de Bauru (SP). Escritor e orador profere palestras em várias cidades brasileiras. Veja página deste Autor

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