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Chico Xavier e a identidade do obsessor

A Doutora Marlene Nobre nos conta um dos muitos casos vivenciados por Chico Xavier (1), narrado por Nena e Francisco Galvez, amigos íntimos do grande médium, e que sempre são portadores de ensinamentos cristãos.

O caso foi com uma senhora médium, clarividente. Ela nos encontrou na rua e, depois de algumas palavras de alegria, perguntou a Chico sobre uma jovem obsidiada que ela conhecia e que havia estado recentemente em Uberaba.

– Mas você, Chico – perguntou a senhora – viu o espírito infeliz que está dominando a moça?

– Vi, sim – esclareceu o médium.

E a senhora prosseguiu: – É um espírito horrível. Parece um monstro. Tem a aparência de um grande macaco ou de um animal parecido com o homem. Eu fiquei pasma, quando vi esse temível obsessor.

Depois de uma pausa ela acrescentou: – E você? Oque fez, ao ver esse monstro diabólico?

Chico respondeu: – Quando eu vi esse espírito, eu me espantei também, mas pedi a ele a benção.

– Que horror! – falou a senhora clarividente – pedir a benção a um espírito daqueles Por que você fez isso?

E o médium esclareceu: – Eu faço assim porque creio que os obsessores também são filhos de Deus.

E são mesmo. Sendo os espíritos os homens na condição de desencarnados, obtemos a confirmação em O Livro dos Espíritos (2):

Perante Deus, são iguais todos os homens? “Sim, todos tendem para o mesmo fim e Deus fez suas leis para todos. Dizeis frequentemente: ‘O Sol luz para todos’ e enunciais assim uma verdade maior e mais geral do que pensais.” Todos os homens estão submetidos às mesmas leis da Natureza. Todos nascem igualmente fracos, acham-se sujeitos às mesmas dores e o corpo do rico se destrói como o do pobre. Deus a nenhum homem concedeu superioridade natural, nem pelo nascimento, nem pela morte: todos, aos seus olhos, são iguais.

O obsessor, na maioria das vezes, o é por vingança. Porque foi prejudicado e não consegue perdoar. Ou seja, foi vítima de sua vítima.

O Evangelho Segundo o Espiritismo nos esclarece (3):

Ainda outros motivos tem o espírita para ser indulgente com os seus inimigos. Sabe ele, primeiramente, que a maldade não é um estado permanente dos homens; que ela decorre de uma imperfeição temporária e que, assim como a criança se corrige dos seus defeitos, o homem mau reconhecerá um dia os seus erros e se tornará bom.

Sabe também que a morte apenas o livra da presença material do seu inimigo, pois que este o pode perseguir com o seu ódio, mesmo depois de haver deixado a Terra…

Os inimigos do mundo invisível manifestam sua malevolência pelas obsessões e subjugações com que tanta gente se vê a braços e que representam um gênero de provações, as quais, como as outras, concorrem para o adiantamento do ser, que, por isso, as deve receber com resignação e como consequência da natureza inferior do globo terrestre. Se não houvesse homens maus na Terra, não haveria Espíritos maus ao seu derredor. Se, conseguintemente, se deve usar de benevolência com os inimigos encarnados, do mesmo modo se deve proceder com relação aos que se acham desencarnados.

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro

Referências:
(1) Meus Pedaços do Espelho, FE Editora Jornalística Ltda, segunda edição, 2015;
(2) Questão 803;
(3) Capítulo XII – Amai os vossos inimigos.

Sobre Antonio Carlos Navarro

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Espírita de São José do Rio Preto - SPFrequentador e Dirigente do Centro Espírita Francisco Cândido Xavier em São José do Rio Preto, SP. Estudioso, palestrante e editor de inúmeros textos e conteúdo EspíritaGênero de livros Espírita que prefere: Mediunidade, DoutrinárioIniciou seus primeiros contatos com a Doutrina Espirita: 1986

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