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Cavalo, quarenta e um – Richard Simonetti

CAVALO, QUARENTA E UM

                  Richard Simonetti

                  richardsimonetti@uol.com.br

 

Sonolento, mal desperto, o marido ouviu a mulher perguntar:

– Quarenta e um é cavalo?

– Não entendi…

– Quarenta e um é cavalo?

– Por que quer saber?

– Sonhei que um alazão me dizia: – Jogue no meu número, quarenta e um.

– É minha idade… Ando escoiceando?!

– Não, meu bem, pelo contrário. Você é um amor! Sonhei mesmo. Talvez seja um convite da sorte…

– Bobagem. Nem sei se quarenta e um é cavalo.

Horas depois, o casal está no posto de gasolina, ao lado do supermercado. Ela pergunta ao frentista:

– O senhor sabe que bicho é quarenta e um?

– Cavalo.

– Meu Deus! Tem certeza?!

– Absoluta. Sempre faço minha fezinha.

Tanque cheio: quarenta e um litros. Número da nota fiscal: final quarenta e um!

Entram no mercado. Ele tropeça numa banca. Cai um tênis no chão. Tamanho: quarenta e um!

Pagam a conta: Quarenta e um reais!

Entreolham-se, excitados.

– Aqui tem coisa! – reconhece o marido.

– É a sorte, querido. Está acenando para nós. Não podemos deixar passar a oportunidade.

Procuram o bilheteiro que faz ponto no estacionamento do mercado.

– Queremos escolher um número.

– Não vai dar. Só tenho um bilhete.

– Qual o final?

– Quarenta e um.

Compraram o bilhete inteiro! Era para resolver de pronto todos os problemas financeiros, garantindo futuro tranquilo.

À tarde, cheios de expectativa, acompanharam o sorteio pelo rádio. Empolgados, ouviram o número do primeiro prêmio. Nem sombra do quarenta e um! Passou longe!…

Assim como eles, centenas de visionários que sonharam com um bicho ou um número, acompanharam com a mesma expectativa o sorteio, e também se decepcionaram.

Alguém ganhou, provavelmente comprando um bilhete de forma aleatória, do tipo “qualquer número serve”.

Concebem, as pessoas que sonham com a sorte, que na extração de uma loteria possa haver a interferência de Espíritos, a seu favor.

Admitamos que o fizessem, por exercício de telecinesia do além, influindo no resultado. Imaginemos milhares de mentores a disputarem o prêmio, interessados em resolver os problemas financeiros de seus pupilos.

Seria uma briga! Ou será que submeteriam a um poder superior suas reivindicações, para decidir quem levaria a bolada?

Há quem suponha que o próprio Criador interfere. Qual seria o divino critério? Merecimento, não é. Há pilantras que ganham.

Necessidade, também não. Gente rica costuma ganhar, até porque compra mais bilhetes.

Com elementar exercício de bom senso, chegamos a uma conclusão óbvia, amigo leitor: qualquer apostador poderá ganhar, atendendo ao fato de que alguém ficará com o prêmio, não por escolha ou determinação sobrenatural, mas conforme a velha lei das probabilidades.

Se esperamos pelos favores dos Espíritos ou de Deus, saibamos que eles nos ajudam, sim, e muito!

Consideremos, entretanto, que o fazem de forma peculiar. Enviam-nos desafios e dificuldades, lutas e contratempos, o clima próprio para nos tirar da inércia a fim de conquistarmos um prêmio muito mais valioso:

Vencer nossas próprias limitações.

Originally posted 2016-07-03 20:59:51.

Sobre Sidney Fernandes

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Sidney Fernandes (1948@uol.com.br) nasceu em Bauru, em 1948. Gerente do Banco do Brasil e Empresário, hoje está aposentado e se dedica integralmente à veiculação do Espiritismo. Participou ativamente da Mocidade Espírita até integrar-se ao Centro Espírita Amor e Caridade de Bauru (SP). Escritor e orador profere palestras em várias cidades brasileiras. Veja página deste Autor

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