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Bônus-Hora e Capital Espiritual

O conceito de bônus-hora nos é apresentado por André Luiz no capítulo treze do livro Nosso Lar, ocasião em que uma senhora idosa solicita favores do Ministro Clarêncio no sentido de ela mesma proteger seus dois filhos, ainda encarnados, e que passavam, segundo ela, dificuldades sem conta na Terra.

Admitia ela, no entanto, que os desígnios de Deus são sempre justos e amorosos, mas o seu coração de mãe estava angustiado.

O Ministro ouviu, fraternalmente, sua solicitação, dando início a interessante diálogo, que transcrevemos em parte:

Ah! minha amiga – disse o benfeitor amorável -‘ só no espírito de humildade e de trabalho é possível a nós outros proteger alguém. …Quantos bônus-hora poderá apresentar em benefício de sua pretensão?

A interpelada respondeu, hesitante:

Trezentos e quatro.

É de lamentar – elucidou Clarêncio, sorrindo -, pois aqui se hospeda, há mais de seis anos, e apenas deu à colônia, até hoje, trezentos e quatro horas de trabalho. Entretanto, logo que se restabeleceu das lutas sofridas em região inferior, ofereci-lhe atividade louvável…

Continuando a leitura do livro encontramos no capítulo vinte e um a questão da propriedade na Colônia:

“Como se encara o problema da propriedade na colônia? Esta casa, por exemplo, pertence-lhe? – Tal como se dá na Terra, a propriedade aqui é relativa. Nossas aquisições são feitas à base de horas de trabalho. O bônus-hora, no fundo, é o nosso dinheiro. Quaisquer utilidades são adquiridas com esses cupons, obtidos por nós mesmos, à custa de esforço e dedicação”.

Mas é no capítulo vinte e dois que se discorre, fartamente, sobre o bônus-hora, e de onde pinçamos esclarecimentos:

“Não é propriamente moeda, mas ficha de serviço individual, funcionando como valor aquisitivo.

Os que se esforçam na obtenção do bônus-hora conseguem certas prerrogativas na comunidade social.

As almas operosas conquistam o bônus-hora e podem gozar a companhia de irmãos queridos, ou o contato de orientadores sábios.

Mas, é esse o único título de remuneração? – Sim, é o padrão de pagamento a todos os colaboradores da colônia, não só na administração, como também na obediência.

A maioria dos homens encarnados está, simplesmente, ensaiando o espírito de serviço e aprendendo a trabalhar nos diversos setores da vida humana.”

Propriedade legítima, o bônus-hora sempre será moeda de troca junto à Economia Divina estando o espírito encarnado ou desencarnado, permitindo o acesso a todo tipo de benefícios para si mesmo e para outrem, segundo seus interesses e necessidades.

Se na Terra todos os serviços são remunerados, e quando o são parcamente, dá ensejo à atuação da Justiça dos Homens, diante da perfeição da Justiça Divina o mesmo não acontece, como garantiu Nosso Senhor Jesus Cristo ao dizer que a cada um é dado segundo suas obras.

Portanto, todos precisamos verificar, com isenção de consciência, antes de pedir o que quer que seja “aos Céus” e seus representantes, qual é o nosso saldo em bônus-horas – nosso Capital Espiritual – conquistados através de trabalhos voluntários no âmbito de nossa área de atuação reencarnatória, para que não passemos pela decepção de ver nossos desejos não atendidos, ou atendidos em parte.

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro

Sobre Antonio Carlos Navarro

Espírita de São José do Rio Preto - SP Frequentador e Dirigente do Centro Espírita Francisco Cândido Xavier em São José do Rio Preto, SP. Estudioso, palestrante e editor de inúmeros textos e conteúdo Espírita Gênero de livros Espírita que prefere: Mediunidade, Doutrinário Iniciou seus primeiros contatos com a Doutrina Espirita: 1986

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