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Atrasados, primitivos ou degenerados? – 1ª parte

Atrasados, primitivos ou degenerados? – PRIMEIRA PARTE

Sidney Fernandes

1948@uol.com.br

Ai de vós que agora rides, porque sereis constrangidos a gemer e a chorar.

Lucas, 6:24-25

Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará.

Gálatas, 6:7

Hoje estou apavorado porque descobri que eles não são atrasados, nem são primitivos. São degenerados!

Jorge Luís Borges, escritor argentino, citado por Paulo Mendes da Rocha, arquiteto e urbanista brasileiro.

Não importa! Sejam os erros cometidos por ignorância, ingenuidade ou por deliberada má intenção, com circunstâncias atenuantes ou agravantes, em vidas passadas ou na encarnação presente, a justiça de Deus sempre atinge o infrator. Não há falta ou infração sem consequências forçosas e inevitáveis.

Estranhamos que os grandes culpados, não raramente, terminem suas existências pacificamente, na abundância dos bens terrenos. É porque vemos apenas o momento atual. Cedo ou tarde soará a hora da expiação. E isso acontecerá até que as manchas dos comprometimentos sejam totalmente apagadas.

Por que uns sofrem mais do que os outros? Por que alguns dispõem de vastos recursos materiais e intelectuais e outros nascem na miséria ou com sérias limitações mentais? Por que para uns sérias dificuldades e para outros a sorte a sorrir?

— Sabei-o! Deus é justo e faz bem o que faz ([1]).

— Interroguem friamente suas consciências todos os que são feridos no coração pelas vicissitudes e decepções da vida; remontem passo a passo à origem dos males que os torturam e verifiquem se, as mais das vezes, não poderão dizer: — Se eu houvesse feito, ou deixado de fazer tal coisa, não estaria em semelhante condição ([2]).

 

***

 

O que pensar de uma criatura enterrada viva? No século XIX isso não era incomum. Um AVC podia provocar um estado de adormecimento profundo, em que respiração, batidas cardíacas e pulsações tornavam-se tão sutis, que o indivíduo parecia estar sem vida.

Com os avanços da ciência hoje isso é mais difícil. Temos, com frequência, nos hospitais, o que se convencionou chamar de EQM – experiência de quase morte. É possível o ressuscitamento com o pronto atendimento e os modernos recursos da medicina.

Allan Kardec nos descreve, no livro O Céu e o Inferno, um caso ocorrido em 1850, em que, quinze dias depois do sepultamento, reconheceu-se que um corpo havia mudado de posição e estava totalmente revirado. Constatou-se que aquele homem havia sido enterrado vivo e teria sucumbido em terríveis circunstâncias.

Tratava-se, em vida, de pessoa honesta e de excelente reputação. Evocado, trouxe alguns esclarecimentos à Sociedade Espírita de Paris:

— Numa existência anterior, eu murara minha mulher, viva, numa pequena adega. Foi a pena de talião que devia aplicar-me.

Na mesma reunião mediúnica, o mentor Erasto esclareceu que todas as nossas existências se interligam, nenhuma é independente das outras e que as dores dos homens quase sempre são as consequências de uma vida anterior criminosa.

Naquele caso, o outrora verdugo solicitara à espiritualidade viver uma dramática experiência, semelhante à que submetera a sua vítima, para expiar seu crime e, dessa forma, atingir mais rapidamente esferas elevadas. Agora poderia, de consciência tranquila, reencontrar-se com ela, que o esperava e já o perdoara há muito tempo.

([1]) – Cap. VIII de O Céu e o Inferno, de Allan Kardec.

([2]) – Cap. V de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec.

– continua na segunda parte –

Sobre Sidney Fernandes

Sidney Fernandes (1948@uol.com.br) nasceu em Bauru, em 1948. Gerente do Banco do Brasil e Empresário, hoje está aposentado e se dedica integralmente à veiculação do Espiritismo. Participou ativamente da Mocidade Espírita até integrar-se ao Centro Espírita Amor e Caridade de Bauru (SP). Escritor e orador profere palestras em várias cidades brasileiras. Veja página deste Autor

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