sexta-feira , dezembro 14 2018
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A Vida Depois da Morte (Orientações aos familiares e amigos que ficam)

Como devemos nos comportar após a morte de um ente querido?

É natural e inevitável que sintamos saudade do convívio, da companhia, da presença da pessoa em nossa vida.

Lágrimas de saudade não prejudicam quem parte.

O que prejudica, dificulta o desligamento, perturba o espírito que parte é a revolta, a blasfêmia contra Deus, a não aceitação, a inconformação.

Todos esses sentimentos dos encarnados repercutem no espírito desencarnado em forma de angústia, desespero e aflição.

A saudade, como bem disse Chico Xavier, existe dos dois lados da vida.

Mas quem parte poderá sofrer mais que nós, senão vejamos.

Nós continuamos aqui com nossa rotina diária, nossa família, trabalho, amigos etc. Quem parte leva na bagagem somente a sua essência, suas vivências e seus sentimentos e, via de regra, é levado para outros locais como, por exemplo, colônias espirituais diversas, áreas de refazimento espirituais, hospitais etc.

Como se vê, nós continuamos no nosso ambiente (Terra) com tudo que faz parte da nossa vida, mas os desencarnados, não. Eles irão ingressar num novo mundo onde terão que se adaptar ou, se preferirem, se readaptar. A dificuldade dessa adaptação será proporcional ao nível de apego que o espírito tiver em relação às pessoas e aos bens que deixou na Terra.

É certo que não ficarão sozinhos e desamparados, pois temos amigos e familiares que nos aguardarão na porta da nova vida, mas que a rotina muda, muda sim, e muito.

E o “novo” sempre traz dúvidas, inseguranças e problemas de adaptação.

Dessa forma, é egoísmo pensar somente na nossa dor, no nosso sofrimento pela perda do ente querido.

Lembremo-nos que quem partiu também poderá estar sentindo tudo isso também, necessitando, portanto, de nossa ajuda que poderá ser oferecida por meio das preces e resignação à vontade de Deus.

NO VELÓRIO:

“Quando comparecemos a um velório cumprimos sagrado dever de solidariedade, oferecendo conforto à família. Infelizmente, tendemos a fazê-lo pela metade, com a presença física, ignorando o que poderíamos definir por compostura espiritual, a exprimir-se no respeito pelo ambiente e no empenho de ajudar o morto.”(2)

Excetuados os familiares, o que costumamos ver são pessoas que parecem estar numa oportuna reunião social, onde velhos amigos se reencontram, com o ensejo de “por a conversa em dia”. Contam-se piadas, fala-se e futebol, política, sexo, modas…

Ninguém se dá ao trabalho sequer de reduzir o volume da voz, numa zoeira incrível, principalmente ao aproximar-se o horário do sepultamento, quando o recinto acolhe maior número de pessoas.

Ainda preso ao corpo morto, o desencarnante, em estado de inconsciência, recebe o impacto dessas vibrações desrespeitosas e desajustantes que o atingem penosamente, particularmente as de caráter pessoal. Como se vivesse terrível pesadelo ele quer despertar, luta por readquirir o domínio do corpo, quedando-se angustiado e aflito.

Qual deve ser nossa postura em um velório, então?

  • Guardar para o desencarnado todo sentimento de carinho, ternura e tolerância, sublimado pela oração.
  • Formar um clima de serenidade através de assuntos elevados.
  • Evitar comentários sobre defeitos, deslizes e sobre o que faltou realizar.
  • Evitar comentários de lástima pelos familiares.
  • Evitar piadas e conversas acerca da forma do desencarne.
  • Orar. A prece cria um ambiente de paz, tranquilidade e ajuda a todos os envolvidos.

Vimos que ajudar não é difícil, basta manter o pensamento edificante, preces sinceras e desejo verdadeiro de ajudar. Isto resulta em eflúvios, vibrações salutares e balsamizantes, que auxiliarão o desencarnado e também contribuirão com os trabalhadores espirituais, no socorro e auxílio ao espírito em passagem.

VISITA AO TÚMULO:

A visita ao túmulo apenas expressa que lembramos do amado ausente,  MAS não é o lugar, objetos, flores e velas que realmente importam. O que importa é a intenção, a lembrança sincera, o amor e a oração – e para isso não precisamos estar no cemitério.

Túmulos suntuosos não importam e não fazem diferença para quem parte.

A oração sincera sempre aquieta e acalma o espírito e esse é o melhor meio de ajudarmos quem partiu antes de nós. Facilitará o desprendimento e a entrada mais tranquila no Mundo Espiritual.

Fernando Rossit

(1) https://www.mensagemespirita.com.br

(2) Do livro: Quem tem medo da morte? –  Richard Simonetti

Sobre Fernando Rossit

Fernando Rossit é funcionário público e reside em São José do Rio Preto. Espírita desde 1978, atua em várias tarefas nas casas espíritas "Associação Espírita Allan Kardec" e "Centro Espírita Irmão Gerônimo".

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