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“A Morte do meu Filho salvou a Vida de Seis Pessoas”

CORPO E ORGAOS

Era um dia chuvoso. Eu estava na sala de casa com meus três filhos assistindo a um filme. Só o Izaque, o mais velho, não estava com a gente. Ele tinha ido até a praia do Pontal, a meia hora de distância. Cansada, relutava para não cair no sono. Assim que o filme terminou, fui para o quarto e me deitei, mas não dormi. A chuva só aumentava e comecei a ficar preocupada. Já eram quase 23 h e o Izaque ainda não tinha chegado nem dado sinal de vida. Fiquei virando na cama até perto da meia-noite, quando chegou a notícia: meu filho havia sofrido um acidente de moto na estrada e não tinha resistido.

Sem carta de motorista, ele saiu de moto na chuva…

Naquele sábado chuvoso de 2006, o Izaque chegou pra mim e falou: “Mãe, estou indo lá pra Pontal receber um dinheiro do patrão”. “Tudo bem, filho. Vai com Deus!”, respondi. Sabia que o Izaque não ia só receber. Ele ia encontrar uma namoradinha também. Pediu para um colega que tinha moto ir com ele. Meu filho tinha 20 anos e, mesmo sem carta, sabia pilotar. Nesse dia, foi dirigindo e o dono da moto foi na garupa. Eu não gostava, mas meu filho estava acostumado e nunca tinha acontecido nada. Se eu soubesse o que estava por vir, jamais teria deixado o Izaque sair de casa.

Ele chegou à UTI já com morte cerebral. Não tinha como salvá-lo

Bateram na minha porta à meia-noite. Era o Dióge, um vizinho. Tive um pressentimento ruim, que se confirmou. “Rejane, o Izaque sofreu um acidente e o estado dele é grave. Se arruma que vou te levar para o hospital.”

Quando entramos no carro, o Dióge fez outra revelação. “Rejane, preciso ser sincero. Acho que o Izaque não resistiu.” Soltei um grito que estava entalado na garganta: “Não, isso não é verdade! Mãe, fala que o Izaque está bem”. Ela só me abraçou. Chorei por 40 minutos, de casa até o hospital.

Chegamos lá e o Izaque já estava na UTI. O médico soltou a bomba na hora: “Mãe, sinto muito. Não tem jeito. Ele bateu a cabeça muito forte e teve morte cerebral… Está respirando por aparelhos”. Esperançosa, perguntei: “Tem certeza, doutor?” Ele respondeu que sim. Fiquei desesperada. “Por que você me deixou, meu filho? Não faz isso comigo!”, chorava eu, debruçada sobre o corpo do Izaque. Não conseguia me conformar.

Depois que me acalmei, conversei com o médico. Ele disse que eu poderia doar outros órgãos do meu filho, que estavam funcionando bem. Pronta eu nunca estaria. Minha vontade era manter o Izaque ali e vê-lo todo dia. Mas eu sabia que ele não ia voltar.

Até então, nunca havia pensado sobre doação de órgãos. Mamãe disse que seria um ato muito bonito e poderia salvar vidas. Concordei. “Alguns pedacinhos do Izaque estarão vivendo por aí”, pensei. Essa ideia me confortou. Autorizei. Doamos os rins, o pâncreas, o fígado, as córneas e o coração dele. Confesso que fiquei com um pouco de medo no dia do velório. Não sabia como estaria sua aparência. Mas meu menino estava lindo como sempre, como se estivesse dormindo.

Realizei o sonho dele sem saber e sinto que ele continua vivo…

O Izaque se foi, mas o dono da moto sobreviveu e me contou como tudo aconteceu. O farol alto de um caminhão fez com que o Izaque perdesse o controle e batesse no meio-fio. Os dois voaram da moto. O capacete do meu filho se espatifou e ele bateu a cabeça no chão com muita força. Um mês depois, recebi a visita de uma amiga do meu filho. Quando contei que tinha doado os órgãos dele, os olhos dela se encheram de lágrimas. “Uma vez, ele disse que gostaria que fizessem isso se morresse”, disse, emocionada. Aquilo fez meu coração acelerar. Realizei o desejo do meu filho sem saber.

Quando me lembro dele, bate uma saudade tremenda. Meu coração aperta e tenho vontade de chorar. Mas sempre penso que parte dele continua viva, dividida entre novos corpos em algum lugar. Ele salvou a vida de seis pessoas! Hoje, meu maior sonho é conhecê-las. Quero abraçar essas pessoas. Quem sabe eu me sinta mais próxima do meu filho…

(REJANE DA PENHA SANTOS SOUZA, 46 anos, artesã, Itapemirim, ES)

Sobre Fernando Rossit

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Fernando Rossit é funcionário público e reside em São José do Rio Preto. Espírita desde 1978, atua em várias tarefas nas casas espíritas "Associação Espírita Allan Kardec" e "Centro Espírita Irmão Gerônimo".

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