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A Alma e o Invisível

Sidney Fernandes

Desde que o homem atingiu o princípio da racionalidade, a maior descoberta que fez sobre si mesmo foi a de que possui, além do corpo físico, um duplo espiritual, ou seja, todos somos dotados de alma.

Para onde vai a alma depois da morte? Dizer que ela vai para baixo (suposto inferno) ou para cima (suposto céu) seria, pretensiosamente, situá-la geograficamente na infinitude do universo, onde desaparecem as coordenadas, ainda que fôssemos dotados de um miraculoso GPS.

Em vez disso, dizer que as almas se situarão no todo invisível no meio do qual vivemos e levarão sua felicidade ou infelicidade em si mesmas; que seus destinos estão subordinados aos respectivos estados morais; e que elas se reunirão a outras almas simpáticas e afins, de acordo com seu grau de depuração, não seria utilizar linguagem mais convincente e acessível à razão humana? Convenhamos que esse raciocínio é muito mais útil e atraente do que o da felicidade da contemplação e da inutilidade perpétua.

Salva-nos o Espiritismo, luz que clareia os caminhos e traz, com lógica e raciocínio incontestáveis, ampla visão das finalidades da vida física e dos caminhos que percorreremos após a morte. Da mesma forma, a Doutrina Espírita rege os contatos entre nós, que ora vivemos do lado de cá, com os outros, que vivem do lado de lá da existência.

Intercâmbio com os espíritos

O homem é simplesmente um espírito aprisionado num corpo. Por que motivo um espírito livre da carcaça física não poderia se comunicar conosco, assim como visitamos os prisioneiros da Terra? Não é compreensível que um ente querido, que nos amou e continua nos amando, cuja morada atual é a esfera espiritual, queira se comunicar conosco, desde que haja permissão dos superiores e meios adequados para isso?

Mediunidade e Evangelho

É justamente no Cristianismo nascente que a mediunidade atinge pontos mais expressivos na história da humanidade. Vários discípulos se converteram em autênticos médiuns da Antiguidade.

Curas pelo olhar

Um homem olhou para os apóstolos Pedro e João, talvez esperando receber deles alguma ajuda, pois era inválido e não conseguia andar.

Depois de ambos olharem significativamente para o deficiente, Pedro disse:

— Não tenho prata, nem ouro, mas o que tenho, lhe dou, em nome de Jesus Cristo, o nazareno: Ande!

Essas palavras foram acompanhadas do magnetismo curativo que era praticado sistematicamente com o olhar Atos, 3:4-6.

Saulo, Saulo, por que me persegues?

Um dos fenômenos mediúnicos mais expressivos da história evangélica foi a faculdade da clarividência, o momento em que Paulo de Tarso viu Jesus, às portas de Damasco. A narrativa é surpreendente, pois descreve um resplendor de luz do céu, em plena luz do dia. Além disso, também a audição — faculdade mediúnica que permite captar sons e vozes do plano espiritual —, quando ele ouve claramente a voz de Jesus:

Saulo, Saulo, por que me persegues?

A partir desse momento, o teimoso Saulo, diante da cegueira que o acometeu, somente conseguiu dizer:

Quem és, Senhor?

E falou Jesus:

Eu sou Jesus, a quem tu persegues.

Tremendo e atônito, disse Saulo:

Senhor, que queres que eu faça?

A partir daí ele recolheu as instruções do Mestre e entrou na cidade de Damasco Atos, 9:3-8.

Saulo era um homem corajoso. Não obstante, após o choque traumático do encontro com Jesus, ele se sentiu desarvorado e experimentou grande abalo moral. Condoído, o Mestre apresentou-se para Ananias, em extraordinária visão espiritual, e lhe pediu que socorresse Saulo:

—  Ananias!

— Eis-me aqui, Senhor — respondeu.

Vá à casa de Judas, na rua chamada Direita, e pergunte por um homem de Tarso, chamado Saulo Atos, 9:10-11.

Ananias estranhou aquele pedido, pois sabia que Saulo havia ido a Damasco para prender todos os que invocavam o nome de Jesus.

Foi então que o Divino Mestre proferiu as célebres palavras que definiram para sempre a missão de Saulo. A partir da sua conversão, ele se tornaria o gigante Paulo de Tarso, o apóstolo:

Vai, porque este é para mim um vaso escolhido, para levar o nome diante dos gentios, e dos reis e dos filhos de Israel Atos, 9:13-15.

Curas também eram praticadas com a imposição de mãos. Depois do encontro com Jesus, na estrada de Damasco, Saulo foi procurado por Ananias, que pôs sobre ele as mãos, dizendo:

— Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que apareceu no caminho por onde você vinha, enviou-me para que você volte a ver e seja cheio do Espírito Santo Atos, 9:17.

André Luiz e a mediunidade

André Luiz dá sequência ao seu esforço de consolo, restauração, medicação e alimento para nossas almas, com a explicação espírita da mediunidade, com o corpo de ideias que apresenta.

A mediunidade — ensina André Luiz — à luz da Doutrina Espírita, revive a Doutrina de Jesus, no reconhecimento de que não basta a observação dos fatos em si, mas também que se fazem indispensáveis a disciplina e a iluminação dos ingredientes morais que os constituem, a fim de que se tornem fatores de aprimoramento e felicidade, a benefício da criatura em trânsito para a realidade maior (Mecanismos da mediunidade, de André Luiz).

Espiritismo: o porto seguro

A lógica irretorquível do Espiritismo proporciona calma, segurança e fortalece a convicção na existência de forças que nos circundam e nos influenciam, para o bem, ou para o mal, dependendo de nossos procedimentos.

A Doutrina Espírita é o porto seguro para o seguro diagnóstico da sensibilidade mediúnica. Ela nos dá certeza da reação do universo ao modo como conduzimos a nossas vidas.

Estudemo-la!

 

Referências: O Livro dos Médiuns e Revista Espírita de fevereiro de 1858, Allan Kardec; Mediunidade, tudo o que você precisa saber, Richard Simonetti; Mecanismos da mediunidade, André Luiz e Atos dos Apóstolos.

Sobre Sidney Fernandes

Sidney Fernandes (1948@uol.com.br) nasceu em Bauru, em 1948. Gerente do Banco do Brasil e Empresário, hoje está aposentado e se dedica integralmente à veiculação do Espiritismo. Participou ativamente da Mocidade Espírita até integrar-se ao Centro Espírita Amor e Caridade de Bauru (SP). Escritor e orador profere palestras em várias cidades brasileiras. Veja página deste Autor

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